Hachikō – O cão fiel

Hachikō ( ハチ公) é o nome de um cão muito famoso no Japão, que por sua história comovente se tornou mundialmente conhecido e lembrado até hoje.

Pertencente à raça Akita, nasceu em 10 de novembro de 1923 e foi trazido para Tóquio 1 ano depois, por Hidesaburo Ueno, um professor da Universidade de Tóquio e grande amante de cães em geral.

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Fotografia de Hachiko

Hachi, como também  era chamado ,  acompanhava seu dono todos os dias até a estação de Shibuya – Tóquio, e retornava mais tarde quando o professor Ueno voltava da Universidade, fato que na época já chamava atenção de algumas pessoas da região.

Após 1 ano e 4 meses na mesma rotina, no dia 21 de maio de 1925, professor Ueno teve um derrame na Universidade e nunca mais voltou. Pelas histórias contadas, na noite do velório, Hachi chegou a quebrar janelas para atravessar e ficar deitado próximo a seu falecido dono.

Com a morte do professor Ueno, Hachi foi levado para Asasuka, porém diversas vezes fugia da casa em que estava e ia para sua casa em Shibuya esperar seu dono. Mesmo depois de 1 ano, ainda sem se adaptar, Hachi foi doado ao ex jardineiro do professor Ueno, mas continuava fugindo em direção a sua antiga casa. Quando percebeu que seu dono não morava mais naquela casa, passou a esperá-lo todos os dias na estação de Shibuya e assim foi por quase 10 anos. Obviamente, ao longo desse período comoveu as pessoas que passavam diariamente por lá, e estas por sua vez, passaram a deixar alimentos para ajudá-lo.

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Cruzamento de  Shibuya (Foto por Rafael Lucente)

Em  8 de março de 1935, aos 11 anos de idade,  Hachiko faleceu por complicações de uma doença que já possuía,  foi então declarado um dia de luto no Japão. Hachi foi enterrado na sepultura de seu dono, e os dois puderam finalmente descansar juntos.

Hachiko recebeu diversas homenagens, uma delas foi a construção de uma estátua ao lado da estação de Shibuya, local que hoje é muito visitados por japoneses e turistas em geral. Além disso sua história foi inspiração para o filme japonês Hachiko Monogatarilançado em 1987 e para uma versão americana, lançada em 2009, chamada Hachiko:a Dog´s  story  (Sempre ao Seu Lado) com Richard Gere no papel principal.

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Estátua de Hachiko (foto por Rafael Lucente)

Até hoje, todo dia 8 de março, é realizada uma celebração em Shibuya em homenagem à toda lealdade e fidelidade de Hachi com seu dono.

Texto por Rafael Lucente.

 

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Horihide – um dos grandes mestres do Tebori

Kazuo Oguri (conhecido também como Horihide) é um artista e tatuador extremamente conhecido e influente no meio da tatuagem.

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Horihide em seu studio

Horihide nasceu em 1937 no Japão, e é um dos grandes mestres do Tebori (técnica de tatuagem com bambus) ainda vivos. Parte de sua fama vem do fato de ter sido o responsável por trazer a cultura da tatuagem oriental para os americanos, influenciando assim outros grandes nomes como Sailor Jerry e Ed Hardy, o que se tornou um marco na tatuagem ocidental e dando origem posteriormente  a um novo estilo, o body suit (tatuagem de corpo inteiro).

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Ilustrações de Horihide

Sua vida de aprendiz na tatuagem não foi nada fácil, era comum que aprendizes ficassem anos apenas olhando seu mestre trabalhar. Em alguns momentos chegou a questionar a evolução de seu trabalho, o que fez com que começasse a usar seu próprio corpo como material de estudo, especialmente  depois de ter descoberto que seu mestre possuía partes do corpo totalmente pretas de tinta.

Só depois de muitos anos de estudo e prática que realmente iniciou seus primeiros trabalhos. Hoje com 79 anos de idade afirma:  “Enquanto puder mover minhas mãos, vou continuar tatuando.”

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Texto por Rafael Lucente

Mahakala – O senhor do tempo

Mahakala ( महाकाल ) é  uma das divindades mais importantes do Budismo tibetano. Kala é uma das manifestações de Shiva, e significa “O Negro”, “O Tempo”. MahaKala é “O Senhor do Tempo”, “O Grande Tempo” e a “Eternidade”. De acordo com algumas lendas,  Mahakala era um demônio e foi convertido pelos budas  Manjushri e Avalokiteshvara. Esta divindade é também conhecida como “O Grande Protetor”, para os budistas, cada tradição tem seu Mahakala que protege os ensinamentos da tradição em particular e toda a doutrina do Senhor Buda. É comum encontrar sua imagem na entrada de quase todos os monastérios.  Eles são expressões enérgicas da sabedoria, formas que espantam a ignorância e destroem o que for preciso para acabar com ela.
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Mahakala  é um Dharmapala, ou seja, uma divindade que protege o Dharma (Lei Budista). No hinduísmo Mahakala é também uma das encarnações de Shiva, seria Deus do Tempo, ou o própria tempo. Kala significa tempo, ou até mesmo morte. No Japão é conhecido como Ele também é conhecido como “Daikokuten”  e “Daheitian” na China.
 A cor preta absorve todas as outras cores, assim como, todas as qualidades divinas se fundem em Mahakalae seus três olhos simbolizam o poder de compreender o passado, o presente e o futuro. Devemos também lembrar que ele é a personificação da compaixão e libertação dos seres sencientes que sofrem no Samsara. Já as caveiras em sua coroa representam os cincos venenos mentais: ira, desejo, ignorância, inveja e orgulho.
Ou seja, de acordo com as crenças, Mahakala é o senhor do tempo e capaz de tirar da vida  das pessoas tudo aquilo que desvirtua do real caminho.

Máscara Hannya

As máscaras de Hannya tiveram origem no teatro Nõ japonês, que é um tipo clássico de espetáculo de arte, combinando interpretação, canto e poesia.

O teatro ou Noh existe desde o século XIV e normalmente a narrativa é composta por um protagonista (shite) que utiliza uma máscara, um coadjuvante (waki), um ator cômico (kyōgen), um coro e instrumentos musicais. É composto apenas por atores homens, que usam máscaras para representar figuras femininas, no total são mais de 200 máscaras diferentes, que originalmente eram feitas de madeira.

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De todas as máscaras,  uma das que mais se popularizou  foi a da Hannya, que deriva da lenda de uma mulher que após ser enganada por seus entes queridos,  foi consumida por ódio e ciúmes e se transforma em uma espécie de “demônio” com chifres, dentes afiados e aparência assustadora.

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Ilustração por Toshio Shimada

Ainda de acordo com as lendas, existem diferentes representações, por isso é comum ver Hannyas com aspecto mais humano e outras já com aspecto mais demoníaco.

No Japão, a máscara da Hannya simboliza sorte e proteção, como se a feição monstruosa espantasse energias ruins, porém foi  no Ocidente que ela se tornou um frequente tema de tatuagens, e é um dos desenhos mais procurados para composições de trabalhos com a temática oriental.

Texto por Rafael Lucente

Dragão japonês

O dragão japonês (Ryu) é uma besta mitológica semelhante aos dragões chineses e coreanos. Ao contrário do que acontece no Ocidente, no oriente os dragões são considerados criaturas benignas e estão associados a poder, sabedoria, força e proteção.

Seu corpo é formado a partir de  partes de diversos animais, tendo a cabeça de crocodilo, corpo de serpente, escamas e patas de lagartos e 3 garras de águias, diferentes do coreano e chinês que podem ser representados com 4 e 5 garras, respectivamente.

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Escultura dragão japonês

As lendas e histórias foram trazidas da China (onde por muito tempo sua representação era destinada exclusivamente ao imperador) adaptadas pelo povo japonês e difundidas ao longo dos anos, na maioria dos casos as lendas se referem a dragões que podem controlar as águas e as chuvas. Por habitarem rios e mares, acredita-se que maremotos e terremotos podem ser originados devido a movimentação desses grandes seres.

Os desenhos e ilustrações de dragões foram criadas muito tempo depois das histórias em si, e é comum ver dragões segurando uma esfera, que representa uma espécie de energia e está associada à criação, onde apenas os bons conseguem absorver e aproveitá-la.

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Ilustração feita por Toshio Shimada

Devido a toda sua história e importante significado na mitologia asiática o dragão é um dos desenhos mais pedidos e sempre resulta em tatuagens incríveis como esta feita em um de nossos clientes.

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Tatuagem por Toshio Shimada

 

Texto por Rafael Lucente

Sak Yant – tatuagem sagrada

A Sak Yant é uma tatuagem sagrada feita por monges budistas há mais de 2.000 anos. Na Tailândia os antigos guerreiros recebiam tatuagens a fim de garantir força e proteção nas batalhas, esse tipo de ritual acabou se difundindo ao longo dos anos, e hoje em dia qualquer um pode fazer uma Sak Yant.

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Sak Yant nas costas

A tatuagem sagrada, como também é conhecida, normalmente é feita com bambu (técnica semelhante ao tebori japonês) e realizada por um monge, que recebe o nome de Ajarn. Chegando em algum templo a pessoa deverá escolher o “monge tatuador” que mais lhe transmitir energias boas.

O desenho a ser feito é escolhido pelo próprio monge, que a partir de uma conversa com a pessoa a ser tatuada, define o símbolo que mais tem a ver com cada história de vida. Normalmente os símbolos representam sucesso, carisma, força física, sorte e proteção em geral e o pagamento é feito em doações e oferendas (flores, incensos) colocados em uma cestinha.

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Sak Yant

De acordo com a tradição, após ter uma Sak Yant, a pessoa deve seguir algumas “regras”, que basicamente seguem a doutrina budista: não matar, não mentir, não roubar e não cometer adultério. Caso alguma das regras seja quebrada, a tatuagem perde seus “poderes”.

Aqui você pode conferir um vídeo e ver como é feito o ritual: Sak Yant

Texto por Rafael Lucente

Kapala – Caveira tibetana

A caveira tibetana ou Kapala (ཀ་པ་ལ), está associada à rituais budistas, esta prática consiste em esculpir e ornamentar com jóias o crânio de uma pessoa morta, após esse processo, o crânio se torna uma espécie de receptáculo ou tigela, onde a pessoa que beba nela adquira o conhecimento e personalidade do dono do crânio.

Hoje em dia, principalmente no Ocidente, as Kapalas são usadas como enfeites ou artigos de luxo, podendo custar mais de R$2.000,00.


Na década de 90 o artista  Filip Leu, que é referência entre os tatuadores, foi um dos primeiros a tatuar Kapalas, a partir disso, o tema foi se popularizando bastante e cada vez mais clientes se interessam por tatuagens sobre este tema.

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Tatuagem Kapala (em progresso) por Toshio Shimada

Texto por Rafael Lucente

Simbologia da Flor de Lótus

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Tatuagem Flor de Lótus

A tatuagem de Flor de Lótus é muito procurada pelas pessoas, não só apenas pelo seu significado, e sim também pela sua estética. Por ser uma flor bela, e apreciada.

Ela cresce na água enlameada e é nesse ambiente que se dá o seu primeiro e mais literal significado da flor: emergir da escuridão para atingir a iluminação. Portanto, geralmente são escolhidas como forma de mostrar que a pessoa tatuada, conseguiu superar as dificuldades e seguiu com sua vida.

Representa tambem longevidade e fortuna no budismo. Sua tatuagem é mais associada à pureza e beleza natural e por este motivo é mais frequente em mulheres. Porém também é apreciado pelo público masculino, que geralmente tatuam a Flor de Lótus juntamente à carpa (peixe koi), outro grande símbolo japonês do individualismo e da força.

Significados e simbolismo da Flor de Lotus 

A Flor de Lótus é uma flor aquática com muitos significados para os países do Oriente, especialmente o Japão, o Egito e a Índia. Ela é considerada sagrada e um dos símbolos mais antigos e mais profundos do nosso planeta. Nos ensinamentos do budismo e hinduísmo, a flor de lótus simboliza o nascimento divino, o crescimento espiritual e a pureza do coração e da mente.

O significado da flor de lótus começa em suas raízes – literalmente! Ela é um tipo de lírio d’água, cujas raízes estão fundamentadas em meio à lama e ao lodo de lagoas e lagos. O lótus vai subindo à superfície para florescer com notável beleza. O simbolismo está especialmente nesta capacidade de enfrentar a escuridão e florescer tão limpa, tão bonita e tão especial para tantas pessoas.

Significado das cores das flores de Lótus

Os budistas acreditam que a flor de lótus representa a sua transformação espiritual, o progresso da alma até alcançar o auge da iluminação. Suas raízes nascem no lodo e seu caule vai se desenvolvendo na água lamacenta até completar o seu desenvolvimento total, que é quando o botão emerge na superfície da água para desabrochar ao sol. Suas pétalas se fecham e ela submerge durante as noites.

A flor de lótus é sagrada, considerada um símbolo proeminente em muitas culturas asiáticas, com muitos significados associados. Possui um forte simbolismo no Budismo, onde é comum ver a representação do Buda em meditação, sentado dentro de uma flor de lótus. Essa flor representa a superação da dor e do sofrimento do mundo físico ao alcançar a iluminação do mundo espiritual.

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