Daruma – O boneco da sorte

O Daruma ( だるま) é um típico boneco japonês, normalmente dado como presente, afim de trazer proteção, sorte e realizar desejos.

O nome de Daruma deriva da pronuncia de Dharma, e surgiu a partir de uma história de um monge indiano (Bodhidharma) fundador do budismo Zen, que para não dormir, arrancou suas pálpebras e meditou por 9 anos.

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Monge Bodhidharma

Em geral os bonecos Daruma são de madeira, apresentam com vermelha (em razão do traje utilizado pelo monge), possui formato arredondado e sem mãos nem pés (pelo fato dos membros do monge terem se atrofiado ao longo dos 9 anos de meditação) e originalmente não possui pupila, já que faz parte da tradição pintar uma pupila do boneco quando fizer um pedido para ele e a outra quando o desejo se realizar. Para finalizar o ritual do pedido, o boneco deve ser queimado simbolizando que o espírito não esqueceu do pedido.

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Além dessas características, o boneco possui uma sobrancelha relacionada as aves grou e uma barba relacionada a tartaruga, ambos possuem um significado muito forte com relação à longevidade.

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Ilustração por Toshio Shimada

Texto por Rafael Lucente

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Oni – “demônio” do folclore japonês

A cultura oriental no geral é extremamente rica e nela destaca-se principalmente as lendas do folclore japonês, que por muitas vezes é usado como referências para tatuagens, como é o caso da lenda de  Kintarō – Oniwakamaru, da Hannya e do Oni, criatura muito presente em peças do teatro Nos japonês.

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O termo Oni () significa ogro ou troll, é muitas vezes descrito como demônio, porém o termo mais correto pra demônio em japonês seria yokai.

Esta criatura possui corpo de  ser humano, cabeça de animal (que vai de macaco até pássaros) e 2 chifres que podem ter formatos e tamanhos variados. Sua expressão sempre nervosa,  faz com que sejam considerados criaturas maléficas, que atormentam vilas inteiras e poderiam até se alimentar de seres humanos, tanto os pecadores do inferno, como de alguns seres na Terra.

Uma das variações é descrita usando um  fundoshi  de tigre (um traje típico japonês que se assemelha a uma tanga) e pode representar Kimon, a porta do demônio, na qual os espíritos devem passar.

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Porém os Oni também podem ser considerados um símbolo de proteção, ao passo que sua aparência feroz ajudaria a afastar espíritos e energias negativas.

No japão é comemorado o Setsubun, um feriado para celebrar a chegada da primavera e os Oni tem grande importância para a data, pois é tradição que nesta data pessoas usem máscaras de ogros com intuito de afastar as coisas ruins da estação que está chegando.

Além do folclore tradicional, os Oni aparecem frequentemente na cultura Pop japonesa, servindo de inspirações para vários personagens de animes, mangás e jogos, como acontece em Dragon Ball Z, Naruto e Pokemon.

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As tatuagens de Oni normalmente são usadas como símbolo de proteção para a pessoa e podem compor um desenho com outras peças, ou então sendo a peça principal.

Texto por Rafael Lucente

Hamsá – Mão de Fátima

A Hamsá (خمسة em árabe) é um símbolo de proteção característico do Oriente Médio, seu nome é equivalente ao número cinco, se relacionando com os 5 dedos da mão, representados no próprio símbolo.

A Hamsá tem uma história muito antiga, e apesar de ser muito associada à cultura egípcia, provavelmente teve sua origem na civilização Fenícia e só depois foi difundida na cultura árabe em geral.

Desde o princípio, é utilizada como amuleto e proteção e também teria a capacidade de afastar o mau olhado, por isso é muito usada em tatuagens, especialmente entre as mulheres.

O símbolo consiste em uma palma da mão simétrica, ou seja, normalmente não é possível distinguir o polegar do dedo mínimo (mindinho). Pode aparecer associada à ilustrações de olhos, pombas ou até mesmo com a estrela de Davi, sendo que estes potencializariam o poder de Hamsá.

No Islamismo este símbolo é conhecido como Mão de Fátima, pois os 5 dedos representariam os 5 pilares do islamismo e Fátima a filha preferida de Maomé.

No Judaísmo o símbolo é chamado de mão de Miriam, irmã de Moisés e Arão, que representa os 5 livros do Torá, nesses casos é comum  que o símbolo contenha a  inscrição “Shemá Israel”.

Já no budismo, é conhecida como Abhaya Mudra e tem os mesmos significados de proteção e espantar energias negativas.

Texto por Rafael Lucente

 

 

Toshio Shimada leva 2° lugar no Tattoo Fest Capivari

Entre os dias 10, 11 e 12 de março, aconteceu a segunda edição do Tattoo Fest Capivari e Toshio Shimada além de estar presente, ganhou o prêmio de 2° lugar em uma das categorias.

Inscrito na categoria “série de desenhos coloridos” Toshio Shimada apresentou 6 de suas várias artes, e com a temática oriental e uma excelente combinação de cores e técnicas, ganhou o 2° lugar na categoria.

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Artes premiadas e troféu da categoria (foto Rafael Lucente)
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Troféu da categoria (Foto por Rafael Lucente)

As imagens individuais das artes vencedoras e muitas outras você pode ver aqui na sessão artwork.

Para fazer um orçamento ou encomendar uma arte com Toshio Shimada, visite o studio Shimada Tattoo, localizado na Rua Galvão Bueno – 28, sala 21 – Liberdade, SP.

Tel: (11) 3275-0093

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Toshio Shimada com o troféu

Texto por Rafael Lucente.

Dica de leitura: Livro Horikazu

Esta semana, o cliente Maximus visitou o studio Shimada Tattoo para conversar e fazer uma tatuagem com Toshio Shimada.

Rascunho feito por Toshio Shimada para a tatuagem de Maximus

Muito interessado pela cultura oriental em geral, Maximus esteve recentemente no Japão e aproveitou a oportunidade para presentear Toshio Shimada com o livro HORIKAZU ( Traditional Tattoo in Japan – Horikazu Lifework of the Tattoo Master from Asakusa in Tokyo).

O livro Trabalho da vida do mestre de tatuagem de Asakusa, em Tóquio, é uma referência para todos os fãs de tatuagem e da cultura relacionada.
As imagens são do fotógrafo Martin Hladik, que acompanhou as tatuagens japonesas do mestre Horikazu com sua câmera por anos, e apresenta agora o trabalho da vida de um tatuador notável em imagens espetaculares.


São 500 páginas, mais de 460 imagens e ainda entrevistas que relatam o dia a dia de um studio de tatuagem da perspectiva do próprio tatuador e funcionamento de alguma técnicas.

Dedicatória de Maximus para Toshio Shimada

Texto por Rafael Lucente

Ganesha – Deus da prosperidade

Ganesha ( गणेश em sânscrito) é uma divindade do Panteão Hindu, sendo um dos deuses mais venerados.

Primogênito de Parvati e Shiva, Ganesha é o chefe do exército celestial, mestre do conhecimento e sabedoria, responsável por remover obstáculos e trazer sucesso, fartura e prosperidade, além de ser uma das divindades relacionadas à proteção, motivo pelo qual é representado por meio de uma estátua na entrada de residências ou templos hindus.

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estátua de Ganesha

Costuma ser representado em amarelo ou vermelho, possui um corpo que ostenta uma enorme barriga, 4 braços e cabeça de elefante com uma única presa. Na maioria das ilustrações aparece com uma perna dobrada sobre a outra e muitas vezes acompanhado de sua montaria, um rato que é chamado de (Vahana). Cada parte do corpo de Ganesha tem um significado específico:

  • Cabeça de elefante: muito associado à lógica, a cabeça de elefante simboliza a inteligência, sabedoria e capacidade de raciocínio;
  • Presa: Ganesha possui apenas uma presa – de acordo com a lenda, a presa foi arrancada por ele mesmo e utilizada para a escrita dos Vedas (escrituras sagradas para o hinduísmo);
  • Tromba de elefante: estão relacionadas à capacidade de discernimento entre o que é real e o que é irreal;
  • Grandes orelhas: representam a habilidade de ouvir os problemas alheios e poder refletir sobre essas questões, o que também é uma maneira de adquirir sabedoria;
  • Barriga: sua barriga abriga infinitos universos e representa a benevolência e a capacidade de absorver o sofrimento do mundo todo;
  • Pernas: a posição das pernas de Ganesha representa o elo entre o mundo espiritual e material, bem como a necessidade do equilíbrio entre eles;
  • Braços: o corpo de Ganesha apresenta 4 braços (porém existem representações com mais membros) e cada um deles simboliza um atributo do corpo sutil (no hinduísmo o corpo sutil é uma parte extremamente importante que compõe os seres vivos), são eles: o intelecto (Buddhi), o ego (Ahamkara), a consciência (Chitta) e a mente (Manas), sendo que em Ganesha os 4 juntos culminam na pura consciência (Atman). Ainda sobre a simbologia dos membros temos:
  • Uma mão segurando uma lótus, que representa o ápice da evolução humana, a elevação da alma; (saiba mais sobre o significado da flor de lótus clicando aqui)
  • uma mão em direção ao Ganapatyas (devotos de Ganesha), que confere proteção e a própria benção da divindade;
  • uma das mãos segura um chicote, simbolizando a força e disciplina que mantém o devoto no caminho certo;
  • e a última mão segurando uma machadinha, que está associada à restrição a todos os desejos que trazem sofrimento à alma. A machadinha também é responsável por desobstruir o caminho, livrar dos obstáculos (um dos principais significados associados a Ganesha);

Já sua montaria, o rato  Vahana simboliza a ignorância e como este animal normalmente habita esgotos e lugares escuros, contrasta muito com as habilidades de Ganesha de discernimento e iluminação através da sabedoria.

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ilustração Ganesha

Devido a todos esses importantes significados, Ganesha é muito utilizado em tatuagens, sendo ícone de proteção, sabedoria, lógica, prosperidade nos negócios e a capacidade de superar obstáculos da vida.

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Tatuagem Ganesha por Toshio Shimada

 

Texto por Rafael Lucente

A simbologia das flores na tatuagem oriental

É muito comum a utilização de diversos tipos de flores na tatuagem, seja como desenho principal ou para fazendo parte da composição geral. A escolha do tipo de flor tem muito a ver com sua simbologia e significado, como por exemplo:

Cerejeira (Sakura)

Um dos símbolos do Japão e muito associada a primavera,  a cerejeira é uma flor muito popular na cultura oriental, tanto na história como na arte. Ela floresce somente  por poucas semanas. Como resultado da sua curta vida, passou a simbolizar todas as coisas transitórias e efêmeras da vida, bem como a beleza.Entre os yakuzas indica uma consciência de seu destino. Está associada também aos samurais e significa uma vida útil indeterminada, sendo o lema do Bushido. (Saiba mais sobre a história dos Samurai clicando aqui)

 

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Tatuagem por Toshio Shimada

 

Lótus

A flor de Lótus tem um significado importante na tradição budista. A flor é capaz de elevar-se acima da lama para florescer, o que representa um poder humano para superar as impurezas do mundo e alcançar a iluminação, ou até mesmo a capacidade de elevação do espírito.

De acordo com lendas, quando o príncipe Sidarta (que se tornou Buda) deu seus primeiros passos, de cada lugar tocado no solo nasceu uma lótus.

É comum ver representações de várias divindades budistas sentadas em flores de lótus quando estão meditando.

Também representam a superação já que surgem limpas no meio de águas lodosas, o que para a crença hindu significa o lema da beleza interior: “viver no mundo, sem se ligar com aquilo que o rodeia”.

Na tatuagem seu significado pode estar atrelado a alguma divindade ou mesmo ao conceito de superação.

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Tatuagem por Toshio Shimada

 

Crisântemo

De origem chinesa, o crisântemo foi levado ao Japão pelos budistas, onde se tornou um tradicional símbolo da casa imperial. A flor tem longa duração e é utilizada inclusive para fins medicinais. Representa firmeza, determinação, simplicidade, perfeição e dependendo da crença é vista como mediadora do céu e da terra – vida e morte.

É considerada a flor nacional do Japão e está relacionada com o outono, estação em que seu desabrochar é mais intenso.

Naturalmente sua cor é amarela, correspondendo ao significado de seu nome: “flor de ouro”, porém com os avanços da genética, hoje encontra-se crisântemos de diversas cores.

Por cobrir uma porção grande do corpo, os crisântemos são eficazes no preenchimento dos espaços entre o fundo e a imagem principal das tatuagens japonesas. As cores mais usadas são amarelo, vermelho, azul, lilás ou magenta.

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Tatuagem por Toshio Shimada

Peônia

A peônia é originária da China, onde ela simboliza riqueza e boa sorte nos negócios. Estas características foram mantidas na cultura japonesa. No Japão, a peônia é considerada a “Rainha das Flores” por sua beleza única e sua associação com o jogo hanafuda. Este jogo representa bravura e ousadia. A cor avermelhada da peônia, relaciona-se com o sangue e o Sol vermelho com a bandeira do Japão.

Peônias são normalmente incluídas em representações de guerreiros ou animais como tigres, criando um contraste entre a fragilidade e o poder.

Também estão ligadas à cura, magia e proteção contra espíritos ruins.

 

Texto por  Rafael Lucente

 

 

Tatuagem Tibetana: simbolismo através do espiritualismo

O Tibete é uma região mística e cheia de simbolismos espirituais, linguísticos e político. Localizado no planalto da Ásia, ao norte da cordilheira do Himalaia é considerado um dos lugares mais altos do mundo, com uma elevação que chega a ser de 4.900 metros de altitude, sendo chamado por muitos de “teto do mundo”.

A história do Tibete começa a mais ou menos 2.100 anos atrás após uma dinastia militar fixar-se no território que passou a ser comandada pelo Imperador Songtsen Gampo. Após a conquista do território, Songtsen começou a transformar a civilização (que até então era um feudo) em um Império. Seu “reinado” durou até o ano 701, porém trouxe avanços importantes como a criação do alfabeto Tibetano, a criação do sistema legal, o livre exercício religioso do budismo, além de construir diversos templos. Durante toda sua história o Tibete foi um território disputado e desde 2000, o local é considerado patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO.

Por ser uma região recheada de contextos simbólicos, muita gente vê sua cultura como inspiração e escolhe gravar na pele seus símbolos, mantras e suas escritas. Para isso, é preciso saber um pouco sobre o alfabeto tibetano e seus significados para não tatuar algo sem sentido ou inexistente.img6-corresponding-script-styles-72

O Alfabeto Tibetano

O alfabeto tibetano foi composto no século VII pela tradução de textos sagrados do budismo. Derivado das escritas cursivas (Brahmi) utilizadas na Índia Central foi composto com um manifesto apurado de simplificação, graças a um rigoroso conhecimento da fonética. Atualmente, existem dois estilos diferentes da escrita tibetana.

A primeira escrita é a “dbu” comumente impressa em jornais, livros etc.
As consoantes são chamadas de “gsal byed” (sal je). As letras são mostradas na transcrição “Wylie”, isto é, uma representação das letras tibetanas na escrita romana (em inglês) mostrando exatamente como a palavra tibetana é soletrada ou dita na escrita tibetana.

A segunda escrita é derivada de um dialeto tibetano, mas não reflete a pronúncia mais comum no Lhasa Tibetano. Cada letra é seguida por um pequeno ponto, isto representa o final da sílaba.

Simbolismo por trás das Tatuagem Tibetana

Existem muitos mantras com diferentes sentidos e significados, não só na tradição budista tibetana, assim como as tradições e idiomas de origem asiática (chinês, japonês e tailandês, por exemplo).

O budismo tibetano é classificado como Vajrayana (sânscrito: “caminho do diamante”), tradição que surgiu entre iogues indianos, provavelmente a partir do século IV, como uma linha mahayana com mais meios para se chegar à realização — por exemplo, recitação de mantras, visualizações e meditações elaboradas.

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Para tatuar um mantra, palavra ou frase na linguagem tibetana é interessante ter um conhecimento maior do que o mantra representa e um pouco sobre sua origem e significado mais profundo. Há muitos recursos na Internet que explicam sobre os mantras como, por exemplo, o site Visible Mantra ou cursos de caligrafia tibetana.

A escrita tibetana carrega uma forte expressão religiosa/espiritual e esses mantras ou palavras sagradas devem ser respeitados quando se trata de manter a sua originalidade, e o próprio significado da tatuagem.

Muitas pessoas acreditam que o corpo é nosso templo, e alguns especialistas aconselham tatuar os mantras, palavras sagradas ou algum outro desenho com a caligrafia tibetana, na parte superior do corpo, sempre acima da linha da cintura. Outra dica é tomar cuidado para não tatuar as letras de trás para frente ou de cabeça para baixo. Também não é aconselhável colocar as tatuagens próximas às axilas, nádegas ou nas regiões genitais.

Além dos mantras, outros símbolos tibetanos são utilizados na tatuagem, como a caveira  Kapala e a divindade  Mahakala – O senhor do tempo, que já foram citados aqui no blog.

 

Samurai – O guerreiro da honra

Samurai (侍) é o termo usado para guerreiros japoneses que  se originaram no período Heian (平安時代), no final do séc. VIII  em campanhas para subjugar as tribos Enishi, em Tohoku –  norte do Japão, e desde então, são símbolos da honra e integridade.

A palavra samurai significa “aquele que serve“, um outro termo que representa bastante o significado dos samurai é bushi (武士), que seria “homem de armas“.

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Ao longo dos séculos, o Samurai tornou-se mais e mais poderoso e, eventualmente, se tornou a “nobre guerreiro” do Japão. Eles seguiram um conjunto de regras que passaram a ser conhecidas como Bushido (武士道) – “o caminho do guerreiro”.

O código não escrito e não dito enfatizava a lealdade, a frugalidade, domínio das artes marciais e honra até a morte, mas também evoluiu para representar a bravura heróica, o orgulho familiar feroz e a devoção desinteressada, às vezes sem sentido, de mestre e homem.

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Os guerreiros samurai usavam armadura e uma vasta gama de armas, incluindo arco e flecha, lanças e espadas. Após tornar-se um bushi (guerreiro samurai), o cidadão e sua família ganhavam o privilégio do sobrenome. Além disso, os samurai tinham o direito (e o dever) de carregar consigo um par de espadas à cintura, denominado daishô (大小) um verdadeiro símbolo samurai. Era composto por uma espada curta (tanto), cuja lâmina tinha aproximadamente 40 cm, e uma grande (katana), com lâmina de 60 cm.

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Porém, a paz começou a durar no período Edo, o que fez com que vários samurai se tornassem professores, artistas ou burocratas já que a necessidade de habilidades marciais se tornou menos importante.

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Quando o Imperador Meiji chegou ao poder, ele começou a abolir os poderes dos samurai e começou a introduzir um exército de estilo ocidental, recrutado a partir de 1873. Sendo assim, o direito de usar a katana foi perdido, bem como o direito de poder executar qualquer um que desrespeitasse um samurai em público. No entanto, sua influência é vista até hoje na cultura japonesa e nas artes marciais modernas.

A honra dos samurai era tão importante , que caso fossem derrotados em batalha ou falhassem em algum objetivo, o código de honra exigia que o samurai se suicidasse, no ritual chamado de harakiri (腹切) ou seppoku (切腹, cortar o ventre). Este ritual consistia em uma morte lenta e dolorosa, o samurai fincava sua espada no lado esquerdo do abdômen, cortando a região central do corpo e depois puxava a lâmina para cima, esse ferimento era fatal, porém poderia levar horas até o óbito. Tudo isso era feito na frente de testemunhas e o samurai dispunha de um assistente para decepar sua cabeça, caso demonstrasse algum sinal de fraqueza durante esse processo.

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Caso algum samurai não tivesse um daimyo “mestre” ou por algum motivo renegado o ritual do harakiri, este era chamado de Ronin (浪人; 浪 = Onda, 人 = Homem). A vida de um ronin era basicamente viver peregrinando, trabalhando em pequenos empregos e serviços em troca  da refeição do dia e da pratica das artes samurai. Os ronin tornaram-se temidos por sua grande habilidade em combate e como não seguiam o bushido, eram considerados mais temíveis do que os próprios samurai.

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Na cultura japonesa, acredita-se que todo homem segue um destino, sendo assim, o ronin representa bem o significado de seu nome (homem onda), pois não possui um destino e nem sentido, da mesma maneira que as ondas do mar.

Texto por Rafael Lucente.

 

 

Fudō Myōō – Acala

Fudō Myōō不動明王 é uma divindade protetora Budista, mais especificamente das tradições Shingon (眞言), uma das maiores escolas dentro do Budismo, e vertente do Budismo Vajrayana. Está classificado como um dos Reis da Sabedoria, sendo o mais conhecido entre os Cinco Reis da Sabedoria do Ventre.

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Acala  (em sânscrito: अचलनाथ), Acalanatha Vidya Rāja ou “Senhor Inabalável“, como também é conhecido, costuma ser representado em tons de azul, com uma expressão nervosa, portando uma espada que corta as mentes ignorantes e egoístas e um laço que mantém a mente no caminho da sabedoria e controla as emoções mais violentas.

A espada usada por Acala é chamada Vajra (金剛杵) e possui um cabo com formato peculiar simbolizando as propriedades de indestrutibilidade do diamante e da força do trovão, é comum encontrar ilustrações em que ela aparece flamejante,  em outras ocasiões é descrita como uma espada do tesouro (宝剣), ou até mesmo como Kurikara-Ken, uma espada envolta por um dragão, como foi ilustrada na pintura de Akafudō.

 

Atrás de Acala aparece uma espécie de aura de fogo que está relacionada com Garuda, um pássaro de fogo que na mitologia Hindu, é equivalente à Fênix. Essa chama é responsável por queimar as impurezas e maldades do mundo.

Outra característica é a rocha em que Acala permanece sentado, que está ligada a paz e felicidade inabalável de seus seguidores.

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Acala por Toshio Shimada

De acordo com as lendas Fudō Myōō pode possuir até 48 servos ao todo, mas normalmente são apenas 2 jovens, Kimkara (矜羯羅童子) e Cetaka (吒迦童子) que aparecem juntos a ele.

No Japão o  Fudō Myōō é uma das principais deidades, sendo encontrado em templos e santuários ao ar livre, como o famoso Narita Fudo.

Além de todos esses significados, de modo geral o Fudō Myōō simboliza de forma enérgica, a força de vontade em incentivar todos os seres vivos a seguirem  os ensinamentos de Buda. Devido a todas essas lendas que o Fudō Myōō se popularizou  no meio da tatuagem, onde serve como referências para Back Pieces (tatuagens que cobrem as costas inteiras), pois seu tamanho seria proporcional à proteção que a pessoa receberia. Ainda sobre tatuagens, é comum que a escolha da divindade seja devido ao ano de nascimento da pessoa, uma espécie de “signo” onde cada ano seja “regido” por um deus diferente.

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Tatuagem Acala por Toshio Shimada

Um outro ponto interessante é que 2017 é considerado o ano do Fudō Myōō.

Texto por Rafael Lucente.