Oni – “demônio” do folclore japonês

A cultura oriental no geral é extremamente rica e nela destaca-se principalmente as lendas do folclore japonês, que por muitas vezes é usado como referências para tatuagens, como é o caso da lenda de  Kintarō – Oniwakamaru, da Hannya e do Oni, criatura muito presente em peças do teatro Nos japonês.

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O termo Oni () significa ogro ou troll, é muitas vezes descrito como demônio, porém o termo mais correto pra demônio em japonês seria yokai.

Esta criatura possui corpo de  ser humano, cabeça de animal (que vai de macaco até pássaros) e 2 chifres que podem ter formatos e tamanhos variados. Sua expressão sempre nervosa,  faz com que sejam considerados criaturas maléficas, que atormentam vilas inteiras e poderiam até se alimentar de seres humanos, tanto os pecadores do inferno, como de alguns seres na Terra.

Uma das variações é descrita usando um  fundoshi  de tigre (um traje típico japonês que se assemelha a uma tanga) e pode representar Kimon, a porta do demônio, na qual os espíritos devem passar.

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Porém os Oni também podem ser considerados um símbolo de proteção, ao passo que sua aparência feroz ajudaria a afastar espíritos e energias negativas.

No japão é comemorado o Setsubun, um feriado para celebrar a chegada da primavera e os Oni tem grande importância para a data, pois é tradição que nesta data pessoas usem máscaras de ogros com intuito de afastar as coisas ruins da estação que está chegando.

Além do folclore tradicional, os Oni aparecem frequentemente na cultura Pop japonesa, servindo de inspirações para vários personagens de animes, mangás e jogos, como acontece em Dragon Ball Z, Naruto e Pokemon.

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As tatuagens de Oni normalmente são usadas como símbolo de proteção para a pessoa e podem compor um desenho com outras peças, ou então sendo a peça principal.

Texto por Rafael Lucente

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Máscara Hannya

As máscaras de Hannya tiveram origem no teatro Nõ japonês, que é um tipo clássico de espetáculo de arte, combinando interpretação, canto e poesia.

O teatro ou Noh existe desde o século XIV e normalmente a narrativa é composta por um protagonista (shite) que utiliza uma máscara, um coadjuvante (waki), um ator cômico (kyōgen), um coro e instrumentos musicais. É composto apenas por atores homens, que usam máscaras para representar figuras femininas, no total são mais de 200 máscaras diferentes, que originalmente eram feitas de madeira.

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De todas as máscaras,  uma das que mais se popularizou  foi a da Hannya, que deriva da lenda de uma mulher que após ser enganada por seus entes queridos,  foi consumida por ódio e ciúmes e se transforma em uma espécie de “demônio” com chifres, dentes afiados e aparência assustadora.

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Ilustração por Toshio Shimada

Ainda de acordo com as lendas, existem diferentes representações, por isso é comum ver Hannyas com aspecto mais humano e outras já com aspecto mais demoníaco.

No Japão, a máscara da Hannya simboliza sorte e proteção, como se a feição monstruosa espantasse energias ruins, porém foi  no Ocidente que ela se tornou um frequente tema de tatuagens, e é um dos desenhos mais procurados para composições de trabalhos com a temática oriental.

Texto por Rafael Lucente