Daruma – O boneco da sorte

O Daruma ( だるま) é um típico boneco japonês, normalmente dado como presente, afim de trazer proteção, sorte e realizar desejos.

O nome de Daruma deriva da pronuncia de Dharma, e surgiu a partir de uma história de um monge indiano (Bodhidharma) fundador do budismo Zen, que para não dormir, arrancou suas pálpebras e meditou por 9 anos.

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Monge Bodhidharma

Em geral os bonecos Daruma são de madeira, apresentam com vermelha (em razão do traje utilizado pelo monge), possui formato arredondado e sem mãos nem pés (pelo fato dos membros do monge terem se atrofiado ao longo dos 9 anos de meditação) e originalmente não possui pupila, já que faz parte da tradição pintar uma pupila do boneco quando fizer um pedido para ele e a outra quando o desejo se realizar. Para finalizar o ritual do pedido, o boneco deve ser queimado simbolizando que o espírito não esqueceu do pedido.

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Além dessas características, o boneco possui uma sobrancelha relacionada as aves grou e uma barba relacionada a tartaruga, ambos possuem um significado muito forte com relação à longevidade.

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Ilustração por Toshio Shimada

Texto por Rafael Lucente

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Tigre na cultura oriental

A cultura oriental é mundialmente conhecida por sua riqueza de histórias, lendas e significados. Além de criaturas mágicas, demônios e divindades, destacam-se também os animais, como é o caso do tigre.

O tigre (虎 – tora) é considerado um animal divino pelos povos asiáticos e o supremo animal terrestre, sendo um dos 4 animais sagrados ao lado da fênix, tartaruga negra e o dragão.

O tigre é um animal extremamente feroz, imponente e belo, além de estar no topo da sua cadeia alimentar. Essas características fazem com que as tatuagens de tigres estejam associadas à força, coragem, beleza e poder.

Na crença budista, o tigre representa a fé, a força espiritual e a disciplina. Já para povos chineses, está mais associado a realeza, especialmente se tratando do tigre siberiano (tigre branco)

O tigre branco (Byakko) simboliza o outono e o elemento metal e na cultura chinesa, seria o guardião do ponto cardeal oeste.

Além de todos os significados positivos, o tigre também pode representar a ira e a vingança, de modo que alguns demônios são retratados usando trajes feitos de pele de tigre.

Na tatuagem em geral, o tigre costuma aparecer associado ao dragão, ou como peça principal da tatuagem, tendo flores como sakura ou rosas como fundo da composição.

 

Hamsá – Mão de Fátima

A Hamsá (خمسة em árabe) é um símbolo de proteção característico do Oriente Médio, seu nome é equivalente ao número cinco, se relacionando com os 5 dedos da mão, representados no próprio símbolo.

A Hamsá tem uma história muito antiga, e apesar de ser muito associada à cultura egípcia, provavelmente teve sua origem na civilização Fenícia e só depois foi difundida na cultura árabe em geral.

Desde o princípio, é utilizada como amuleto e proteção e também teria a capacidade de afastar o mau olhado, por isso é muito usada em tatuagens, especialmente entre as mulheres.

O símbolo consiste em uma palma da mão simétrica, ou seja, normalmente não é possível distinguir o polegar do dedo mínimo (mindinho). Pode aparecer associada à ilustrações de olhos, pombas ou até mesmo com a estrela de Davi, sendo que estes potencializariam o poder de Hamsá.

No Islamismo este símbolo é conhecido como Mão de Fátima, pois os 5 dedos representariam os 5 pilares do islamismo e Fátima a filha preferida de Maomé.

No Judaísmo o símbolo é chamado de mão de Miriam, irmã de Moisés e Arão, que representa os 5 livros do Torá, nesses casos é comum  que o símbolo contenha a  inscrição “Shemá Israel”.

Já no budismo, é conhecida como Abhaya Mudra e tem os mesmos significados de proteção e espantar energias negativas.

Texto por Rafael Lucente

 

 

Tatuagem Tibetana: simbolismo através do espiritualismo

O Tibete é uma região mística e cheia de simbolismos espirituais, linguísticos e político. Localizado no planalto da Ásia, ao norte da cordilheira do Himalaia é considerado um dos lugares mais altos do mundo, com uma elevação que chega a ser de 4.900 metros de altitude, sendo chamado por muitos de “teto do mundo”.

A história do Tibete começa a mais ou menos 2.100 anos atrás após uma dinastia militar fixar-se no território que passou a ser comandada pelo Imperador Songtsen Gampo. Após a conquista do território, Songtsen começou a transformar a civilização (que até então era um feudo) em um Império. Seu “reinado” durou até o ano 701, porém trouxe avanços importantes como a criação do alfabeto Tibetano, a criação do sistema legal, o livre exercício religioso do budismo, além de construir diversos templos. Durante toda sua história o Tibete foi um território disputado e desde 2000, o local é considerado patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO.

Por ser uma região recheada de contextos simbólicos, muita gente vê sua cultura como inspiração e escolhe gravar na pele seus símbolos, mantras e suas escritas. Para isso, é preciso saber um pouco sobre o alfabeto tibetano e seus significados para não tatuar algo sem sentido ou inexistente.img6-corresponding-script-styles-72

O Alfabeto Tibetano

O alfabeto tibetano foi composto no século VII pela tradução de textos sagrados do budismo. Derivado das escritas cursivas (Brahmi) utilizadas na Índia Central foi composto com um manifesto apurado de simplificação, graças a um rigoroso conhecimento da fonética. Atualmente, existem dois estilos diferentes da escrita tibetana.

A primeira escrita é a “dbu” comumente impressa em jornais, livros etc.
As consoantes são chamadas de “gsal byed” (sal je). As letras são mostradas na transcrição “Wylie”, isto é, uma representação das letras tibetanas na escrita romana (em inglês) mostrando exatamente como a palavra tibetana é soletrada ou dita na escrita tibetana.

A segunda escrita é derivada de um dialeto tibetano, mas não reflete a pronúncia mais comum no Lhasa Tibetano. Cada letra é seguida por um pequeno ponto, isto representa o final da sílaba.

Simbolismo por trás das Tatuagem Tibetana

Existem muitos mantras com diferentes sentidos e significados, não só na tradição budista tibetana, assim como as tradições e idiomas de origem asiática (chinês, japonês e tailandês, por exemplo).

O budismo tibetano é classificado como Vajrayana (sânscrito: “caminho do diamante”), tradição que surgiu entre iogues indianos, provavelmente a partir do século IV, como uma linha mahayana com mais meios para se chegar à realização — por exemplo, recitação de mantras, visualizações e meditações elaboradas.

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Para tatuar um mantra, palavra ou frase na linguagem tibetana é interessante ter um conhecimento maior do que o mantra representa e um pouco sobre sua origem e significado mais profundo. Há muitos recursos na Internet que explicam sobre os mantras como, por exemplo, o site Visible Mantra ou cursos de caligrafia tibetana.

A escrita tibetana carrega uma forte expressão religiosa/espiritual e esses mantras ou palavras sagradas devem ser respeitados quando se trata de manter a sua originalidade, e o próprio significado da tatuagem.

Muitas pessoas acreditam que o corpo é nosso templo, e alguns especialistas aconselham tatuar os mantras, palavras sagradas ou algum outro desenho com a caligrafia tibetana, na parte superior do corpo, sempre acima da linha da cintura. Outra dica é tomar cuidado para não tatuar as letras de trás para frente ou de cabeça para baixo. Também não é aconselhável colocar as tatuagens próximas às axilas, nádegas ou nas regiões genitais.

Além dos mantras, outros símbolos tibetanos são utilizados na tatuagem, como a caveira  Kapala e a divindade  Mahakala – O senhor do tempo, que já foram citados aqui no blog.

 

Fudō Myōō – Acala

Fudō Myōō不動明王 é uma divindade protetora Budista, mais especificamente das tradições Shingon (眞言), uma das maiores escolas dentro do Budismo, e vertente do Budismo Vajrayana. Está classificado como um dos Reis da Sabedoria, sendo o mais conhecido entre os Cinco Reis da Sabedoria do Ventre.

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Acala  (em sânscrito: अचलनाथ), Acalanatha Vidya Rāja ou “Senhor Inabalável“, como também é conhecido, costuma ser representado em tons de azul, com uma expressão nervosa, portando uma espada que corta as mentes ignorantes e egoístas e um laço que mantém a mente no caminho da sabedoria e controla as emoções mais violentas.

A espada usada por Acala é chamada Vajra (金剛杵) e possui um cabo com formato peculiar simbolizando as propriedades de indestrutibilidade do diamante e da força do trovão, é comum encontrar ilustrações em que ela aparece flamejante,  em outras ocasiões é descrita como uma espada do tesouro (宝剣), ou até mesmo como Kurikara-Ken, uma espada envolta por um dragão, como foi ilustrada na pintura de Akafudō.

 

Atrás de Acala aparece uma espécie de aura de fogo que está relacionada com Garuda, um pássaro de fogo que na mitologia Hindu, é equivalente à Fênix. Essa chama é responsável por queimar as impurezas e maldades do mundo.

Outra característica é a rocha em que Acala permanece sentado, que está ligada a paz e felicidade inabalável de seus seguidores.

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Acala por Toshio Shimada

De acordo com as lendas Fudō Myōō pode possuir até 48 servos ao todo, mas normalmente são apenas 2 jovens, Kimkara (矜羯羅童子) e Cetaka (吒迦童子) que aparecem juntos a ele.

No Japão o  Fudō Myōō é uma das principais deidades, sendo encontrado em templos e santuários ao ar livre, como o famoso Narita Fudo.

Além de todos esses significados, de modo geral o Fudō Myōō simboliza de forma enérgica, a força de vontade em incentivar todos os seres vivos a seguirem  os ensinamentos de Buda. Devido a todas essas lendas que o Fudō Myōō se popularizou  no meio da tatuagem, onde serve como referências para Back Pieces (tatuagens que cobrem as costas inteiras), pois seu tamanho seria proporcional à proteção que a pessoa receberia. Ainda sobre tatuagens, é comum que a escolha da divindade seja devido ao ano de nascimento da pessoa, uma espécie de “signo” onde cada ano seja “regido” por um deus diferente.

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Tatuagem Acala por Toshio Shimada

Um outro ponto interessante é que 2017 é considerado o ano do Fudō Myōō.

Texto por Rafael Lucente.

Tengu – goblins das montanhas

Tengu (天狗) são seres mágicos que fazem parte do folclore japonês, misturando a cultura budista com a xintoísta.

São goblins que habitam as montanhas e dentre suas capacidades mágicas estão a habilidade de se transformar em humanos ou animais, se comunicarem sem mexer a boca, se transportar de um lugar para o outro e invadir o sonho dos seres humanos.

Existem 2 tipos de  Tengu: o Karasu Tengu, que possui corpo de ser humano e cabeça de corvo e o Yamabushi Tengu, com rosto semelhante ao de ser humano, mas com nariz longo e asas bem grandes.

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São exímios lutadores, porém , seu principal passatempo é pregar peças em sacerdotes que se tornam muito orgulhosos, samurais arrogantes, autoridades que abusam do poder e qualquer um que contrariar as leis do Dharma. Acredita-se também que em algum desses casos, na próxima encarnação a pessoa se transforme em um Tengu.

 

Ao que se sabe, as lendas se originaram entre o Século VI e VII, quando a cultura budista se difundiu mais no Japão e estão associados ao Monte Kurama, que seria onde o rei dos Tengu Sojobo Vivia. Durante o passar dos anos, os Tengus foram tendo vários significados diferentes, passando de guardiões das montanhas e templos a ladrões de crianças.

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Tengu por Toshio Shimada

 

Texto por Rafael Lucente

Mahakala – O senhor do tempo

Mahakala ( महाकाल ) é  uma das divindades mais importantes do Budismo tibetano. Kala é uma das manifestações de Shiva, e significa “O Negro”, “O Tempo”. MahaKala é “O Senhor do Tempo”, “O Grande Tempo” e a “Eternidade”. De acordo com algumas lendas,  Mahakala era um demônio e foi convertido pelos budas  Manjushri e Avalokiteshvara. Esta divindade é também conhecida como “O Grande Protetor”, para os budistas, cada tradição tem seu Mahakala que protege os ensinamentos da tradição em particular e toda a doutrina do Senhor Buda. É comum encontrar sua imagem na entrada de quase todos os monastérios.  Eles são expressões enérgicas da sabedoria, formas que espantam a ignorância e destroem o que for preciso para acabar com ela.
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Mahakala  é um Dharmapala, ou seja, uma divindade que protege o Dharma (Lei Budista). No hinduísmo Mahakala é também uma das encarnações de Shiva, seria Deus do Tempo, ou o própria tempo. Kala significa tempo, ou até mesmo morte. No Japão é conhecido como Ele também é conhecido como “Daikokuten”  e “Daheitian” na China.
 A cor preta absorve todas as outras cores, assim como, todas as qualidades divinas se fundem em Mahakalae seus três olhos simbolizam o poder de compreender o passado, o presente e o futuro. Devemos também lembrar que ele é a personificação da compaixão e libertação dos seres sencientes que sofrem no Samsara. Já as caveiras em sua coroa representam os cincos venenos mentais: ira, desejo, ignorância, inveja e orgulho.
Ou seja, de acordo com as crenças, Mahakala é o senhor do tempo e capaz de tirar da vida  das pessoas tudo aquilo que desvirtua do real caminho.

Sak Yant – tatuagem sagrada

A Sak Yant é uma tatuagem sagrada feita por monges budistas há mais de 2.000 anos. Na Tailândia os antigos guerreiros recebiam tatuagens a fim de garantir força e proteção nas batalhas, esse tipo de ritual acabou se difundindo ao longo dos anos, e hoje em dia qualquer um pode fazer uma Sak Yant.

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Sak Yant nas costas

A tatuagem sagrada, como também é conhecida, normalmente é feita com bambu (técnica semelhante ao tebori japonês) e realizada por um monge, que recebe o nome de Ajarn. Chegando em algum templo a pessoa deverá escolher o “monge tatuador” que mais lhe transmitir energias boas.

O desenho a ser feito é escolhido pelo próprio monge, que a partir de uma conversa com a pessoa a ser tatuada, define o símbolo que mais tem a ver com cada história de vida. Normalmente os símbolos representam sucesso, carisma, força física, sorte e proteção em geral e o pagamento é feito em doações e oferendas (flores, incensos) colocados em uma cestinha.

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Sak Yant

De acordo com a tradição, após ter uma Sak Yant, a pessoa deve seguir algumas “regras”, que basicamente seguem a doutrina budista: não matar, não mentir, não roubar e não cometer adultério. Caso alguma das regras seja quebrada, a tatuagem perde seus “poderes”.

Aqui você pode conferir um vídeo e ver como é feito o ritual: Sak Yant

Texto por Rafael Lucente

Kapala – Caveira tibetana

A caveira tibetana ou Kapala (ཀ་པ་ལ), está associada à rituais budistas, esta prática consiste em esculpir e ornamentar com jóias o crânio de uma pessoa morta, após esse processo, o crânio se torna uma espécie de receptáculo ou tigela, onde a pessoa que beba nela adquira o conhecimento e personalidade do dono do crânio.

Hoje em dia, principalmente no Ocidente, as Kapalas são usadas como enfeites ou artigos de luxo, podendo custar mais de R$2.000,00.


Na década de 90 o artista  Filip Leu, que é referência entre os tatuadores, foi um dos primeiros a tatuar Kapalas, a partir disso, o tema foi se popularizando bastante e cada vez mais clientes se interessam por tatuagens sobre este tema.

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Tatuagem Kapala (em progresso) por Toshio Shimada

Texto por Rafael Lucente

Simbologia da Flor de Lótus

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Tatuagem Flor de Lótus

A tatuagem de Flor de Lótus é muito procurada pelas pessoas, não só apenas pelo seu significado, e sim também pela sua estética. Por ser uma flor bela, e apreciada.

Ela cresce na água enlameada e é nesse ambiente que se dá o seu primeiro e mais literal significado da flor: emergir da escuridão para atingir a iluminação. Portanto, geralmente são escolhidas como forma de mostrar que a pessoa tatuada, conseguiu superar as dificuldades e seguiu com sua vida.

Representa tambem longevidade e fortuna no budismo. Sua tatuagem é mais associada à pureza e beleza natural e por este motivo é mais frequente em mulheres. Porém também é apreciado pelo público masculino, que geralmente tatuam a Flor de Lótus juntamente à carpa (peixe koi), outro grande símbolo japonês do individualismo e da força.

Significados e simbolismo da Flor de Lotus 

A Flor de Lótus é uma flor aquática com muitos significados para os países do Oriente, especialmente o Japão, o Egito e a Índia. Ela é considerada sagrada e um dos símbolos mais antigos e mais profundos do nosso planeta. Nos ensinamentos do budismo e hinduísmo, a flor de lótus simboliza o nascimento divino, o crescimento espiritual e a pureza do coração e da mente.

O significado da flor de lótus começa em suas raízes – literalmente! Ela é um tipo de lírio d’água, cujas raízes estão fundamentadas em meio à lama e ao lodo de lagoas e lagos. O lótus vai subindo à superfície para florescer com notável beleza. O simbolismo está especialmente nesta capacidade de enfrentar a escuridão e florescer tão limpa, tão bonita e tão especial para tantas pessoas.

Significado das cores das flores de Lótus

Os budistas acreditam que a flor de lótus representa a sua transformação espiritual, o progresso da alma até alcançar o auge da iluminação. Suas raízes nascem no lodo e seu caule vai se desenvolvendo na água lamacenta até completar o seu desenvolvimento total, que é quando o botão emerge na superfície da água para desabrochar ao sol. Suas pétalas se fecham e ela submerge durante as noites.

A flor de lótus é sagrada, considerada um símbolo proeminente em muitas culturas asiáticas, com muitos significados associados. Possui um forte simbolismo no Budismo, onde é comum ver a representação do Buda em meditação, sentado dentro de uma flor de lótus. Essa flor representa a superação da dor e do sofrimento do mundo físico ao alcançar a iluminação do mundo espiritual.

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