A simbologia das flores na tatuagem oriental

É muito comum a utilização de diversos tipos de flores na tatuagem, seja como desenho principal ou para fazendo parte da composição geral. A escolha do tipo de flor tem muito a ver com sua simbologia e significado, como por exemplo:

Cerejeira (Sakura)

Um dos símbolos do Japão e muito associada a primavera,  a cerejeira é uma flor muito popular na cultura oriental, tanto na história como na arte. Ela floresce somente  por poucas semanas. Como resultado da sua curta vida, passou a simbolizar todas as coisas transitórias e efêmeras da vida, bem como a beleza.Entre os yakuzas indica uma consciência de seu destino. Está associada também aos samurais e significa uma vida útil indeterminada, sendo o lema do Bushido. (Saiba mais sobre a história dos Samurai clicando aqui)

 

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Tatuagem por Toshio Shimada

 

Lótus

A flor de Lótus tem um significado importante na tradição budista. A flor é capaz de elevar-se acima da lama para florescer, o que representa um poder humano para superar as impurezas do mundo e alcançar a iluminação, ou até mesmo a capacidade de elevação do espírito.

De acordo com lendas, quando o príncipe Sidarta (que se tornou Buda) deu seus primeiros passos, de cada lugar tocado no solo nasceu uma lótus.

É comum ver representações de várias divindades budistas sentadas em flores de lótus quando estão meditando.

Também representam a superação já que surgem limpas no meio de águas lodosas, o que para a crença hindu significa o lema da beleza interior: “viver no mundo, sem se ligar com aquilo que o rodeia”.

Na tatuagem seu significado pode estar atrelado a alguma divindade ou mesmo ao conceito de superação.

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Tatuagem por Toshio Shimada

 

Crisântemo

De origem chinesa, o crisântemo foi levado ao Japão pelos budistas, onde se tornou um tradicional símbolo da casa imperial. A flor tem longa duração e é utilizada inclusive para fins medicinais. Representa firmeza, determinação, simplicidade, perfeição e dependendo da crença é vista como mediadora do céu e da terra – vida e morte.

É considerada a flor nacional do Japão e está relacionada com o outono, estação em que seu desabrochar é mais intenso.

Naturalmente sua cor é amarela, correspondendo ao significado de seu nome: “flor de ouro”, porém com os avanços da genética, hoje encontra-se crisântemos de diversas cores.

Por cobrir uma porção grande do corpo, os crisântemos são eficazes no preenchimento dos espaços entre o fundo e a imagem principal das tatuagens japonesas. As cores mais usadas são amarelo, vermelho, azul, lilás ou magenta.

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Tatuagem por Toshio Shimada

Peônia

A peônia é originária da China, onde ela simboliza riqueza e boa sorte nos negócios. Estas características foram mantidas na cultura japonesa. No Japão, a peônia é considerada a “Rainha das Flores” por sua beleza única e sua associação com o jogo hanafuda. Este jogo representa bravura e ousadia. A cor avermelhada da peônia, relaciona-se com o sangue e o Sol vermelho com a bandeira do Japão.

Peônias são normalmente incluídas em representações de guerreiros ou animais como tigres, criando um contraste entre a fragilidade e o poder.

Também estão ligadas à cura, magia e proteção contra espíritos ruins.

 

Texto por  Rafael Lucente

 

 

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Tatuagem Tibetana: simbolismo através do espiritualismo

O Tibete é uma região mística e cheia de simbolismos espirituais, linguísticos e político. Localizado no planalto da Ásia, ao norte da cordilheira do Himalaia é considerado um dos lugares mais altos do mundo, com uma elevação que chega a ser de 4.900 metros de altitude, sendo chamado por muitos de “teto do mundo”.

A história do Tibete começa a mais ou menos 2.100 anos atrás após uma dinastia militar fixar-se no território que passou a ser comandada pelo Imperador Songtsen Gampo. Após a conquista do território, Songtsen começou a transformar a civilização (que até então era um feudo) em um Império. Seu “reinado” durou até o ano 701, porém trouxe avanços importantes como a criação do alfabeto Tibetano, a criação do sistema legal, o livre exercício religioso do budismo, além de construir diversos templos. Durante toda sua história o Tibete foi um território disputado e desde 2000, o local é considerado patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO.

Por ser uma região recheada de contextos simbólicos, muita gente vê sua cultura como inspiração e escolhe gravar na pele seus símbolos, mantras e suas escritas. Para isso, é preciso saber um pouco sobre o alfabeto tibetano e seus significados para não tatuar algo sem sentido ou inexistente.img6-corresponding-script-styles-72

O Alfabeto Tibetano

O alfabeto tibetano foi composto no século VII pela tradução de textos sagrados do budismo. Derivado das escritas cursivas (Brahmi) utilizadas na Índia Central foi composto com um manifesto apurado de simplificação, graças a um rigoroso conhecimento da fonética. Atualmente, existem dois estilos diferentes da escrita tibetana.

A primeira escrita é a “dbu” comumente impressa em jornais, livros etc.
As consoantes são chamadas de “gsal byed” (sal je). As letras são mostradas na transcrição “Wylie”, isto é, uma representação das letras tibetanas na escrita romana (em inglês) mostrando exatamente como a palavra tibetana é soletrada ou dita na escrita tibetana.

A segunda escrita é derivada de um dialeto tibetano, mas não reflete a pronúncia mais comum no Lhasa Tibetano. Cada letra é seguida por um pequeno ponto, isto representa o final da sílaba.

Simbolismo por trás das Tatuagem Tibetana

Existem muitos mantras com diferentes sentidos e significados, não só na tradição budista tibetana, assim como as tradições e idiomas de origem asiática (chinês, japonês e tailandês, por exemplo).

O budismo tibetano é classificado como Vajrayana (sânscrito: “caminho do diamante”), tradição que surgiu entre iogues indianos, provavelmente a partir do século IV, como uma linha mahayana com mais meios para se chegar à realização — por exemplo, recitação de mantras, visualizações e meditações elaboradas.

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Para tatuar um mantra, palavra ou frase na linguagem tibetana é interessante ter um conhecimento maior do que o mantra representa e um pouco sobre sua origem e significado mais profundo. Há muitos recursos na Internet que explicam sobre os mantras como, por exemplo, o site Visible Mantra ou cursos de caligrafia tibetana.

A escrita tibetana carrega uma forte expressão religiosa/espiritual e esses mantras ou palavras sagradas devem ser respeitados quando se trata de manter a sua originalidade, e o próprio significado da tatuagem.

Muitas pessoas acreditam que o corpo é nosso templo, e alguns especialistas aconselham tatuar os mantras, palavras sagradas ou algum outro desenho com a caligrafia tibetana, na parte superior do corpo, sempre acima da linha da cintura. Outra dica é tomar cuidado para não tatuar as letras de trás para frente ou de cabeça para baixo. Também não é aconselhável colocar as tatuagens próximas às axilas, nádegas ou nas regiões genitais.

Além dos mantras, outros símbolos tibetanos são utilizados na tatuagem, como a caveira  Kapala e a divindade  Mahakala – O senhor do tempo, que já foram citados aqui no blog.

 

Samurai – O guerreiro da honra

Samurai (侍) é o termo usado para guerreiros japoneses que  se originaram no período Heian (平安時代), no final do séc. VIII  em campanhas para subjugar as tribos Enishi, em Tohoku –  norte do Japão, e desde então, são símbolos da honra e integridade.

A palavra samurai significa “aquele que serve“, um outro termo que representa bastante o significado dos samurai é bushi (武士), que seria “homem de armas“.

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Ao longo dos séculos, o Samurai tornou-se mais e mais poderoso e, eventualmente, se tornou a “nobre guerreiro” do Japão. Eles seguiram um conjunto de regras que passaram a ser conhecidas como Bushido (武士道) – “o caminho do guerreiro”.

O código não escrito e não dito enfatizava a lealdade, a frugalidade, domínio das artes marciais e honra até a morte, mas também evoluiu para representar a bravura heróica, o orgulho familiar feroz e a devoção desinteressada, às vezes sem sentido, de mestre e homem.

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Os guerreiros samurai usavam armadura e uma vasta gama de armas, incluindo arco e flecha, lanças e espadas. Após tornar-se um bushi (guerreiro samurai), o cidadão e sua família ganhavam o privilégio do sobrenome. Além disso, os samurai tinham o direito (e o dever) de carregar consigo um par de espadas à cintura, denominado daishô (大小) um verdadeiro símbolo samurai. Era composto por uma espada curta (tanto), cuja lâmina tinha aproximadamente 40 cm, e uma grande (katana), com lâmina de 60 cm.

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Porém, a paz começou a durar no período Edo, o que fez com que vários samurai se tornassem professores, artistas ou burocratas já que a necessidade de habilidades marciais se tornou menos importante.

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Quando o Imperador Meiji chegou ao poder, ele começou a abolir os poderes dos samurai e começou a introduzir um exército de estilo ocidental, recrutado a partir de 1873. Sendo assim, o direito de usar a katana foi perdido, bem como o direito de poder executar qualquer um que desrespeitasse um samurai em público. No entanto, sua influência é vista até hoje na cultura japonesa e nas artes marciais modernas.

A honra dos samurai era tão importante , que caso fossem derrotados em batalha ou falhassem em algum objetivo, o código de honra exigia que o samurai se suicidasse, no ritual chamado de harakiri (腹切) ou seppoku (切腹, cortar o ventre). Este ritual consistia em uma morte lenta e dolorosa, o samurai fincava sua espada no lado esquerdo do abdômen, cortando a região central do corpo e depois puxava a lâmina para cima, esse ferimento era fatal, porém poderia levar horas até o óbito. Tudo isso era feito na frente de testemunhas e o samurai dispunha de um assistente para decepar sua cabeça, caso demonstrasse algum sinal de fraqueza durante esse processo.

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Caso algum samurai não tivesse um daimyo “mestre” ou por algum motivo renegado o ritual do harakiri, este era chamado de Ronin (浪人; 浪 = Onda, 人 = Homem). A vida de um ronin era basicamente viver peregrinando, trabalhando em pequenos empregos e serviços em troca  da refeição do dia e da pratica das artes samurai. Os ronin tornaram-se temidos por sua grande habilidade em combate e como não seguiam o bushido, eram considerados mais temíveis do que os próprios samurai.

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Na cultura japonesa, acredita-se que todo homem segue um destino, sendo assim, o ronin representa bem o significado de seu nome (homem onda), pois não possui um destino e nem sentido, da mesma maneira que as ondas do mar.

Texto por Rafael Lucente.

 

 

Daimoku – Nam myoho rengue kyo

Daimoku (題目) é como é chamado  o Nam-Myoho-Renge-Kyo (南無妙法蓮華経) , um dos mantras mais utilizados e conhecidos do budismo de Nitiren, um monge japonês que viveu no século XIII. Suas palavras  derivam do texto Mahayana, denominado Sutra da Flor de Lótus e representa  o caminho para a iluminação.

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Mantra Daimoku

Diferente de outros tipos de mantra, o Daimoku foi destinado a todas as formas de vida, sendo assim, não apresenta nenhuma restrição ou pré requisito, fato que ajudou a popularizá-lo ao redor do mundo.

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Representação de Nitiren Daishonin

Como a palavra Daimoku significa o título do Sutra de Lótus, pelo que Nitiren passou a humanidade, recitar o Daimoku seria equivalente a recitar todos os seus 28 capítulos. Já separadamente, cada palavra do mantra tem seu significado específico:

Nam (南無) : seria “devotar a vida”

Myo (妙): está relacionado a “místico”, no sentido do que o homem ainda não compreende.

Ho (法): significa lei, também relacionado com lei da natureza.

De certa maneira MyoHo seria um conceito de lei mística, uma parte essencial que rege todos os fenômenos naturais.

Rengue (蓮華): flor de lótus, símbolo muito importante dentro do budismo, pois simboliza a causa e efeito, na qual passado, presente e futuro estão diretamente relacionados.

Kyo (経): significa Sutra, que é o ensinamento eterno de Buda, transcendendo até mesmo o clclo da vida.

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Daimoku Kanjis

No contexto geral, o mantra despertaria o conceito de Buda em quem o recitasse, e estaria atrelado aos outros pilares da fé: transmitir os ensinamentos  (Shakubuku) e buscar a paz mundial (kosen-rufu).

Por ser um dos mantras mais poderosos, o Daimoku se difundiu no mundo da tatuagem, pois funcionaria como uma proteção marcada na pele. É muito comum que as pessoas associem tatuagens com Kanjis (caracteres da escrita chinesa/japonesa) com nomes próprios, porém na maioria das tatuagens orientais, esses kanjis representam uma parte ou até mesmo um mantra inteiro.

Texto por Rafael Lucente.

Fudō Myōō – Acala

Fudō Myōō不動明王 é uma divindade protetora Budista, mais especificamente das tradições Shingon (眞言), uma das maiores escolas dentro do Budismo, e vertente do Budismo Vajrayana. Está classificado como um dos Reis da Sabedoria, sendo o mais conhecido entre os Cinco Reis da Sabedoria do Ventre.

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Acala  (em sânscrito: अचलनाथ), Acalanatha Vidya Rāja ou “Senhor Inabalável“, como também é conhecido, costuma ser representado em tons de azul, com uma expressão nervosa, portando uma espada que corta as mentes ignorantes e egoístas e um laço que mantém a mente no caminho da sabedoria e controla as emoções mais violentas.

A espada usada por Acala é chamada Vajra (金剛杵) e possui um cabo com formato peculiar simbolizando as propriedades de indestrutibilidade do diamante e da força do trovão, é comum encontrar ilustrações em que ela aparece flamejante,  em outras ocasiões é descrita como uma espada do tesouro (宝剣), ou até mesmo como Kurikara-Ken, uma espada envolta por um dragão, como foi ilustrada na pintura de Akafudō.

 

Atrás de Acala aparece uma espécie de aura de fogo que está relacionada com Garuda, um pássaro de fogo que na mitologia Hindu, é equivalente à Fênix. Essa chama é responsável por queimar as impurezas e maldades do mundo.

Outra característica é a rocha em que Acala permanece sentado, que está ligada a paz e felicidade inabalável de seus seguidores.

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Acala por Toshio Shimada

De acordo com as lendas Fudō Myōō pode possuir até 48 servos ao todo, mas normalmente são apenas 2 jovens, Kimkara (矜羯羅童子) e Cetaka (吒迦童子) que aparecem juntos a ele.

No Japão o  Fudō Myōō é uma das principais deidades, sendo encontrado em templos e santuários ao ar livre, como o famoso Narita Fudo.

Além de todos esses significados, de modo geral o Fudō Myōō simboliza de forma enérgica, a força de vontade em incentivar todos os seres vivos a seguirem  os ensinamentos de Buda. Devido a todas essas lendas que o Fudō Myōō se popularizou  no meio da tatuagem, onde serve como referências para Back Pieces (tatuagens que cobrem as costas inteiras), pois seu tamanho seria proporcional à proteção que a pessoa receberia. Ainda sobre tatuagens, é comum que a escolha da divindade seja devido ao ano de nascimento da pessoa, uma espécie de “signo” onde cada ano seja “regido” por um deus diferente.

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Tatuagem Acala por Toshio Shimada

Um outro ponto interessante é que 2017 é considerado o ano do Fudō Myōō.

Texto por Rafael Lucente.

Shimada Tattoo Studio participa do ‘1º Flash Day de Signos’ do Ano Novo Chinês

Com tatuagens a partir de R$200, participantes poderão gravar na pele seu horóscopo em versão zodiacal, chinesa, japonesa ou desenhos criados pelos artistas do evento

Entre os dias 11 e 12 de fevereiro os estúdios Shimada Tattoo, Sampa e Hostel irão promover o 1º Flash Day de Signos em comemoração ao Ano Novo Chinês. A ideia deles é oferecer desenhos exclusivos por preços acessíveis, que variam entre R$200 a R$400 reais.

O evento acontece na sede do Hostel Tattoo na Vila Madalena na Rua Harmonia, 1235, e contará com 18 tatuadores, entre eles Toshio Shimada, especialista em Wabori – estilo tradicional de tattoo japonesa.

Os interessados poderão gravar na pele o próprio signo em versão zodiacal, chinesa, japonesa ou dos Orixás, conforme sua crença, significado ou se apenas se curtiu o desenho dos caras. Segundo a organização do evento, a tatuagem escolhida deverá ser idêntica ao desenho original, ou seja, não serão feitas mudanças no tamanho e no estilo da arte.

O Flash Day funciona assim: Cada artista estará com seus trabalhos expostos e respectivos valores, basta escolher e se preparar pra tatuar.

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Sobre o Ano Novo Chinês

No dia 28 de janeiro é dado o início do Ano Novo Chinês, que é tradicionalmente considerada a celebração mais importante em diversos países orientais.  O período termina no dia 15 de fevereiro do ano que vem que é calculado a partir do fechamento de ciclos lunares do calendário chinês. Seguindo a tradição, o animal regente de 2017 será o Galo de Fogo que simboliza ambição, coragem e honestidade.

Pra quem ainda não sabe seu horóscopo chinês, vale a pena conferir a tabela a baixo:

Zodiac
Animal

Entidade Budista

Direção

Para pessoas nascidas em Jan. ou Fev. (atenção ao mês)

Rato

Senju Kannon

N

1924, 1936, 1948, 1960, 1972, 1984, 1996, 2008

Touro

Kokūzō Bosatsu

NE

1925, 1937, 1949, 1961, 1973, 1985, 1997, 2009

Tigre

Kokūzō Bosatsu

NE

1926, 1938, 1950, 1962, 1974, 1986, 1998, 2010

Lebre

Monju Bosatsu

E

1927, 1939, 1951, 1963, 1975, 1987, 1999, 2011

Dragao

Fugen Bosatsu

SE

1928, 1940, 1952, 1964, 1976, 1988, 2000, 2012

Serpente

Fugen Bosatsu

SE

1929, 1941, 1953, 1965, 1977, 1989, 2001, 2013

Cavalo

Seishi Bosatsu

S

1930, 1942, 1954, 1966, 1978, 1990, 2002, 2014

Cordeiro

Dainichi Nyorai

SW

1931, 1943, 1955, 1967, 1979, 1991, 2003, 2015

Macaco

Dainichi Nyorai

SW

1932, 1944, 1956, 1968, 1980, 1992, 2004, 2016

Galo

Fudō Myō-ō

W

1933, 1945, 1957, 1969, 1981, 1993, 2005, 2017

Cachorro

Amida Nyorai

NW

1934, 1946, 1958, 1970, 1982, 1994, 2006, 2018

Javali

Amida Nyorai

NW

1935, 1947, 1959, 1971, 1983, 1995, 2007, 2019

SERVIÇO

Dia: 11 (sábado) e 12 (domingo) de fevereiro 2017
Horário: das 8h30 às 19h30
Onde: No estúdio Hostel Tattoo na Vila Madalena – Rua Harmonia, 1235

Toshio Shimada em entrevista para Jornal O Globo

Em participação de uma das maiores feiras de tatuagem da América Latina, a Tattoo Week Rio 2017, o tatuador paulista Toshio Shimada foi convidado pelo Jornal O Globo para entrevista especial sobre sua carreira e abordar o assunto que ele mais entende na vida: tatuagem. A seguir, leia na íntegra a matéria que saiu nesta quinta-feira (27), no site do Jornal O Globo.

Capa da matéria no site do Jornal O Globo


POR CLARISSA PAINS | 25/01/2017 

 “Tenho 41 anos, nasci em Itapetininga (SP) e comecei a tatuar em 1985, seguindo os caminhos do meu pai, filho de imigrantes japoneses. Em 1994, abri meu estúdio no Japão. Trabalhei com o estilo tradicional japonês de tatuagem, o wabori. Voltei ao Brasil em 2014 e inaugurei um estúdio na Liberdade, bairro paulistano da colônia japonesa.”

Conte algo que não sei.

Apesar de fazer tatuagem nos outros desde que eu tinha 10 anos, e de ter ganhado prêmios em países como Irlanda e Portugal, não tenho nenhuma tattoo em meu corpo.

E por que não?

Quando eu era criança e adolescente, tinha vontade, mas depois ela sumiu. Percebi que a tatuagem pode trazer muito estigma, e não quero que as pessoas me julguem só ao me olhar. Considero que é apenas o meu trabalho, minha vida profissional. Não quero brincar de Picasso na pele de ninguém e não acho que precise de tatuagens no meu corpo para ser um bom tatuador.

Os clientes estranham o fato de você não ter tatuagem?

Todos estranham. Mas o mais importante são os trabalhos que faço, e não o que tenho desenhado na pele. Há bons tatuadores que têm péssimas tatuagens no corpo. E aí isso vira um terrível cartão de visitas, para sempre. A tatuagem é algo permanente, e minha vida muda muito. Não acho que combine comigo.

Como você se interessou por tatuagens?

Meu pai descobriu a tatuagem no Brasil, ainda totalmente manual, com tinta de caneta. Depois, começou a construir as próprias maquininhas, e passei a me interessar. Em 1985, no primeiro Rock in Rio, tatuadores estrangeiros apareceram na TV. Nunca tínhamos visto isso na mídia. Era final de ditadura, quem tinha tatuagem era visto como bandido ou vagabundo. Foi então que comecei a tatuar. Resolvi me profissionalizar quando fui para o Japão, em 1994, e abri meu estúdio.

Qual a diferença entre ser tatuador no Brasil e no Japão?

No Japão, a tatuagem se popularizou depois dos anos 2000. Mas, agora, o governo quer restringir, porque considera que não é algo que, tradicionalmente, pertença à cultura japonesa. A tradição lá pesa muito. Já o Brasil é o segundo maior mercado no mundo, só perdendo para os EUA. O Brasil é muito aberto, é mais fácil ser tatuador aqui do que em um país como o Japão.

E qual o melhor lugar do mundo para ser tatuador?

Para o que eu faço, particularmente, considero que São Paulo é melhor do que Londres ou Tóquio. Mas, em geral, a Alemanha é muito boa para a profissão.

Você já sentiu preconceito por ser tatuador?

Sim, no Japão. Eu não pagava meu imposto como tatuador, e sim como desenhista. A profissão sofre pressão cada vez mais negativa no país. Foi um dos motivos que me fizeram querer voltar ao Brasil. Não adiantava continuar no Japão, um país superdesenvolvido, mas onde há pouca liberdade. Considero que é uma ditadura moderna.

Qual a dica para as pessoas não se arrependerem depois de fazer uma tatuagem?

Tem que pesquisar muito bem antes de se decidir pelo que vai desenhar na pele. Tem que ser pelo menos algo que sua avó diga “acho ridículo, mas está bem feito”.

Por que você acha que a tatuagem atrai tantas pessoas?

A tatuagem ainda é algo que desafia a sociedade, tem um quê de proibido. Ela só tem sentido se disser alguma coisa, se for capaz de expor uma crítica. Se todos fossem obrigados a ter tatuagem, ninguém iria querer. É uma resposta natural. E, como é clichê que todo tatuador tenha várias tattoos, isso me faz não querer ter nenhuma. É a minha forma de ir contra, de alguma maneira.


Fonte oficial:  http://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/toshio-shimada-tatuador-tatuagem-ainda-desafia-sociedade-20821016#ixzz4Wxa44oie © 1996 – 2017. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. 

Hachikō – O cão fiel

Hachikō ( ハチ公) é o nome de um cão muito famoso no Japão, que por sua história comovente se tornou mundialmente conhecido e lembrado até hoje.

Pertencente à raça Akita, nasceu em 10 de novembro de 1923 e foi trazido para Tóquio 1 ano depois, por Hidesaburo Ueno, um professor da Universidade de Tóquio e grande amante de cães em geral.

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Fotografia de Hachiko

Hachi, como também  era chamado ,  acompanhava seu dono todos os dias até a estação de Shibuya – Tóquio, e retornava mais tarde quando o professor Ueno voltava da Universidade, fato que na época já chamava atenção de algumas pessoas da região.

Após 1 ano e 4 meses na mesma rotina, no dia 21 de maio de 1925, professor Ueno teve um derrame na Universidade e nunca mais voltou. Pelas histórias contadas, na noite do velório, Hachi chegou a quebrar janelas para atravessar e ficar deitado próximo a seu falecido dono.

Com a morte do professor Ueno, Hachi foi levado para Asasuka, porém diversas vezes fugia da casa em que estava e ia para sua casa em Shibuya esperar seu dono. Mesmo depois de 1 ano, ainda sem se adaptar, Hachi foi doado ao ex jardineiro do professor Ueno, mas continuava fugindo em direção a sua antiga casa. Quando percebeu que seu dono não morava mais naquela casa, passou a esperá-lo todos os dias na estação de Shibuya e assim foi por quase 10 anos. Obviamente, ao longo desse período comoveu as pessoas que passavam diariamente por lá, e estas por sua vez, passaram a deixar alimentos para ajudá-lo.

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Cruzamento de  Shibuya (Foto por Rafael Lucente)

Em  8 de março de 1935, aos 11 anos de idade,  Hachiko faleceu por complicações de uma doença que já possuía,  foi então declarado um dia de luto no Japão. Hachi foi enterrado na sepultura de seu dono, e os dois puderam finalmente descansar juntos.

Hachiko recebeu diversas homenagens, uma delas foi a construção de uma estátua ao lado da estação de Shibuya, local que hoje é muito visitados por japoneses e turistas em geral. Além disso sua história foi inspiração para o filme japonês Hachiko Monogatarilançado em 1987 e para uma versão americana, lançada em 2009, chamada Hachiko:a Dog´s  story  (Sempre ao Seu Lado) com Richard Gere no papel principal.

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Estátua de Hachiko (foto por Rafael Lucente)

Até hoje, todo dia 8 de março, é realizada uma celebração em Shibuya em homenagem à toda lealdade e fidelidade de Hachi com seu dono.

Texto por Rafael Lucente.

 

TOSHIO SHIMADA NO TATTOO WEEK RIO 2017

O tatuador especializado em tatuagens em estilo japones e motivos asiáticos, Toshio Shimada, estará presente na 5ª edição da Tattoo Week Rio que acontecerá no Centro de Convenção Sul América, na cidade carioca, entre os dias 13 e 15 de janeiro 2017. O evento é considerado o maior do gênero no Rio de Janeiro e recebe  grandes nomes da tatuagem, com 220 stands e apresentam as tendências e lançamentos mais atualizados do mercado mundial de tatuagens.

Toshio Shimada  viveu por mais de vinte anos no Japão onde aprendeu a técnica tebori com grandes mestres, Toshio iniciou os trabalhos de tatuagem junto de seu pai no final dos anos 80 aqui no Brasil. Já na maturidade de seu trabalho, o cara rodou o mundo todo, tatuando em estúdios famosos da Europa, Ásia e nos EUA. Reconhecido no Brasil é referência no estilo Wabori nas terras tupiniquins, o artista utiliza a técnica milenar japonesa utilizando varas de bambus (Tebori). Shimada já ganhou diversos prêmios no segmento durante sua carreira, sempre priorizando um traço de qualidade, higiene e um visual impecável.

Durante o evento, Shimada fará apresentações de seus desenhos e demonstrações de suas técnicas para o publico em geral. A galera que estiver afim de conhecer mais sobre os trabalhos de Toshio e so comparecer no Tattoo Week Rio 2017 ou  comparecer no estúdio Shimada Tattoo que fica Rua Galvão Bueno, 28 – Sala 21, Liberdade, São Paulo (próximo ao metro).

http://tattooweek.com.br/

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Horihide – um dos grandes mestres do Tebori

Kazuo Oguri (conhecido também como Horihide) é um artista e tatuador extremamente conhecido e influente no meio da tatuagem.

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Horihide em seu studio

Horihide nasceu em 1937 no Japão, e é um dos grandes mestres do Tebori (técnica de tatuagem com bambus) ainda vivos. Parte de sua fama vem do fato de ter sido o responsável por trazer a cultura da tatuagem oriental para os americanos, influenciando assim outros grandes nomes como Sailor Jerry e Ed Hardy, o que se tornou um marco na tatuagem ocidental e dando origem posteriormente  a um novo estilo, o body suit (tatuagem de corpo inteiro).

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Ilustrações de Horihide

Sua vida de aprendiz na tatuagem não foi nada fácil, era comum que aprendizes ficassem anos apenas olhando seu mestre trabalhar. Em alguns momentos chegou a questionar a evolução de seu trabalho, o que fez com que começasse a usar seu próprio corpo como material de estudo, especialmente  depois de ter descoberto que seu mestre possuía partes do corpo totalmente pretas de tinta.

Só depois de muitos anos de estudo e prática que realmente iniciou seus primeiros trabalhos. Hoje com 79 anos de idade afirma:  “Enquanto puder mover minhas mãos, vou continuar tatuando.”

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Texto por Rafael Lucente