A simbologia das flores na tatuagem oriental

É muito comum a utilização de diversos tipos de flores na tatuagem, seja como desenho principal ou para fazendo parte da composição geral. A escolha do tipo de flor tem muito a ver com sua simbologia e significado, como por exemplo:

Cerejeira (Sakura)

Um dos símbolos do Japão e muito associada a primavera,  a cerejeira é uma flor muito popular na cultura oriental, tanto na história como na arte. Ela floresce somente  por poucas semanas. Como resultado da sua curta vida, passou a simbolizar todas as coisas transitórias e efêmeras da vida, bem como a beleza.Entre os yakuzas indica uma consciência de seu destino. Está associada também aos samurais e significa uma vida útil indeterminada, sendo o lema do Bushido. (Saiba mais sobre a história dos Samurai clicando aqui)

 

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Tatuagem por Toshio Shimada

 

Lótus

A flor de Lótus tem um significado importante na tradição budista. A flor é capaz de elevar-se acima da lama para florescer, o que representa um poder humano para superar as impurezas do mundo e alcançar a iluminação, ou até mesmo a capacidade de elevação do espírito.

De acordo com lendas, quando o príncipe Sidarta (que se tornou Buda) deu seus primeiros passos, de cada lugar tocado no solo nasceu uma lótus.

É comum ver representações de várias divindades budistas sentadas em flores de lótus quando estão meditando.

Também representam a superação já que surgem limpas no meio de águas lodosas, o que para a crença hindu significa o lema da beleza interior: “viver no mundo, sem se ligar com aquilo que o rodeia”.

Na tatuagem seu significado pode estar atrelado a alguma divindade ou mesmo ao conceito de superação.

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Tatuagem por Toshio Shimada

 

Crisântemo

De origem chinesa, o crisântemo foi levado ao Japão pelos budistas, onde se tornou um tradicional símbolo da casa imperial. A flor tem longa duração e é utilizada inclusive para fins medicinais. Representa firmeza, determinação, simplicidade, perfeição e dependendo da crença é vista como mediadora do céu e da terra – vida e morte.

É considerada a flor nacional do Japão e está relacionada com o outono, estação em que seu desabrochar é mais intenso.

Naturalmente sua cor é amarela, correspondendo ao significado de seu nome: “flor de ouro”, porém com os avanços da genética, hoje encontra-se crisântemos de diversas cores.

Por cobrir uma porção grande do corpo, os crisântemos são eficazes no preenchimento dos espaços entre o fundo e a imagem principal das tatuagens japonesas. As cores mais usadas são amarelo, vermelho, azul, lilás ou magenta.

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Tatuagem por Toshio Shimada

Peônia

A peônia é originária da China, onde ela simboliza riqueza e boa sorte nos negócios. Estas características foram mantidas na cultura japonesa. No Japão, a peônia é considerada a “Rainha das Flores” por sua beleza única e sua associação com o jogo hanafuda. Este jogo representa bravura e ousadia. A cor avermelhada da peônia, relaciona-se com o sangue e o Sol vermelho com a bandeira do Japão.

Peônias são normalmente incluídas em representações de guerreiros ou animais como tigres, criando um contraste entre a fragilidade e o poder.

Também estão ligadas à cura, magia e proteção contra espíritos ruins.

 

Texto por  Rafael Lucente

 

 

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Samurai – O guerreiro da honra

Samurai (侍) é o termo usado para guerreiros japoneses que  se originaram no período Heian (平安時代), no final do séc. VIII  em campanhas para subjugar as tribos Enishi, em Tohoku –  norte do Japão, e desde então, são símbolos da honra e integridade.

A palavra samurai significa “aquele que serve“, um outro termo que representa bastante o significado dos samurai é bushi (武士), que seria “homem de armas“.

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Ao longo dos séculos, o Samurai tornou-se mais e mais poderoso e, eventualmente, se tornou a “nobre guerreiro” do Japão. Eles seguiram um conjunto de regras que passaram a ser conhecidas como Bushido (武士道) – “o caminho do guerreiro”.

O código não escrito e não dito enfatizava a lealdade, a frugalidade, domínio das artes marciais e honra até a morte, mas também evoluiu para representar a bravura heróica, o orgulho familiar feroz e a devoção desinteressada, às vezes sem sentido, de mestre e homem.

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Os guerreiros samurai usavam armadura e uma vasta gama de armas, incluindo arco e flecha, lanças e espadas. Após tornar-se um bushi (guerreiro samurai), o cidadão e sua família ganhavam o privilégio do sobrenome. Além disso, os samurai tinham o direito (e o dever) de carregar consigo um par de espadas à cintura, denominado daishô (大小) um verdadeiro símbolo samurai. Era composto por uma espada curta (tanto), cuja lâmina tinha aproximadamente 40 cm, e uma grande (katana), com lâmina de 60 cm.

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Porém, a paz começou a durar no período Edo, o que fez com que vários samurai se tornassem professores, artistas ou burocratas já que a necessidade de habilidades marciais se tornou menos importante.

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Quando o Imperador Meiji chegou ao poder, ele começou a abolir os poderes dos samurai e começou a introduzir um exército de estilo ocidental, recrutado a partir de 1873. Sendo assim, o direito de usar a katana foi perdido, bem como o direito de poder executar qualquer um que desrespeitasse um samurai em público. No entanto, sua influência é vista até hoje na cultura japonesa e nas artes marciais modernas.

A honra dos samurai era tão importante , que caso fossem derrotados em batalha ou falhassem em algum objetivo, o código de honra exigia que o samurai se suicidasse, no ritual chamado de harakiri (腹切) ou seppoku (切腹, cortar o ventre). Este ritual consistia em uma morte lenta e dolorosa, o samurai fincava sua espada no lado esquerdo do abdômen, cortando a região central do corpo e depois puxava a lâmina para cima, esse ferimento era fatal, porém poderia levar horas até o óbito. Tudo isso era feito na frente de testemunhas e o samurai dispunha de um assistente para decepar sua cabeça, caso demonstrasse algum sinal de fraqueza durante esse processo.

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Caso algum samurai não tivesse um daimyo “mestre” ou por algum motivo renegado o ritual do harakiri, este era chamado de Ronin (浪人; 浪 = Onda, 人 = Homem). A vida de um ronin era basicamente viver peregrinando, trabalhando em pequenos empregos e serviços em troca  da refeição do dia e da pratica das artes samurai. Os ronin tornaram-se temidos por sua grande habilidade em combate e como não seguiam o bushido, eram considerados mais temíveis do que os próprios samurai.

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Na cultura japonesa, acredita-se que todo homem segue um destino, sendo assim, o ronin representa bem o significado de seu nome (homem onda), pois não possui um destino e nem sentido, da mesma maneira que as ondas do mar.

Texto por Rafael Lucente.

 

 

Daimoku – Nam myoho rengue kyo

Daimoku (題目) é como é chamado  o Nam-Myoho-Renge-Kyo (南無妙法蓮華経) , um dos mantras mais utilizados e conhecidos do budismo de Nitiren, um monge japonês que viveu no século XIII. Suas palavras  derivam do texto Mahayana, denominado Sutra da Flor de Lótus e representa  o caminho para a iluminação.

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Mantra Daimoku

Diferente de outros tipos de mantra, o Daimoku foi destinado a todas as formas de vida, sendo assim, não apresenta nenhuma restrição ou pré requisito, fato que ajudou a popularizá-lo ao redor do mundo.

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Representação de Nitiren Daishonin

Como a palavra Daimoku significa o título do Sutra de Lótus, pelo que Nitiren passou a humanidade, recitar o Daimoku seria equivalente a recitar todos os seus 28 capítulos. Já separadamente, cada palavra do mantra tem seu significado específico:

Nam (南無) : seria “devotar a vida”

Myo (妙): está relacionado a “místico”, no sentido do que o homem ainda não compreende.

Ho (法): significa lei, também relacionado com lei da natureza.

De certa maneira MyoHo seria um conceito de lei mística, uma parte essencial que rege todos os fenômenos naturais.

Rengue (蓮華): flor de lótus, símbolo muito importante dentro do budismo, pois simboliza a causa e efeito, na qual passado, presente e futuro estão diretamente relacionados.

Kyo (経): significa Sutra, que é o ensinamento eterno de Buda, transcendendo até mesmo o clclo da vida.

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Daimoku Kanjis

No contexto geral, o mantra despertaria o conceito de Buda em quem o recitasse, e estaria atrelado aos outros pilares da fé: transmitir os ensinamentos  (Shakubuku) e buscar a paz mundial (kosen-rufu).

Por ser um dos mantras mais poderosos, o Daimoku se difundiu no mundo da tatuagem, pois funcionaria como uma proteção marcada na pele. É muito comum que as pessoas associem tatuagens com Kanjis (caracteres da escrita chinesa/japonesa) com nomes próprios, porém na maioria das tatuagens orientais, esses kanjis representam uma parte ou até mesmo um mantra inteiro.

Texto por Rafael Lucente.

Fudō Myōō – Acala

Fudō Myōō不動明王 é uma divindade protetora Budista, mais especificamente das tradições Shingon (眞言), uma das maiores escolas dentro do Budismo, e vertente do Budismo Vajrayana. Está classificado como um dos Reis da Sabedoria, sendo o mais conhecido entre os Cinco Reis da Sabedoria do Ventre.

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Acala  (em sânscrito: अचलनाथ), Acalanatha Vidya Rāja ou “Senhor Inabalável“, como também é conhecido, costuma ser representado em tons de azul, com uma expressão nervosa, portando uma espada que corta as mentes ignorantes e egoístas e um laço que mantém a mente no caminho da sabedoria e controla as emoções mais violentas.

A espada usada por Acala é chamada Vajra (金剛杵) e possui um cabo com formato peculiar simbolizando as propriedades de indestrutibilidade do diamante e da força do trovão, é comum encontrar ilustrações em que ela aparece flamejante,  em outras ocasiões é descrita como uma espada do tesouro (宝剣), ou até mesmo como Kurikara-Ken, uma espada envolta por um dragão, como foi ilustrada na pintura de Akafudō.

 

Atrás de Acala aparece uma espécie de aura de fogo que está relacionada com Garuda, um pássaro de fogo que na mitologia Hindu, é equivalente à Fênix. Essa chama é responsável por queimar as impurezas e maldades do mundo.

Outra característica é a rocha em que Acala permanece sentado, que está ligada a paz e felicidade inabalável de seus seguidores.

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Acala por Toshio Shimada

De acordo com as lendas Fudō Myōō pode possuir até 48 servos ao todo, mas normalmente são apenas 2 jovens, Kimkara (矜羯羅童子) e Cetaka (吒迦童子) que aparecem juntos a ele.

No Japão o  Fudō Myōō é uma das principais deidades, sendo encontrado em templos e santuários ao ar livre, como o famoso Narita Fudo.

Além de todos esses significados, de modo geral o Fudō Myōō simboliza de forma enérgica, a força de vontade em incentivar todos os seres vivos a seguirem  os ensinamentos de Buda. Devido a todas essas lendas que o Fudō Myōō se popularizou  no meio da tatuagem, onde serve como referências para Back Pieces (tatuagens que cobrem as costas inteiras), pois seu tamanho seria proporcional à proteção que a pessoa receberia. Ainda sobre tatuagens, é comum que a escolha da divindade seja devido ao ano de nascimento da pessoa, uma espécie de “signo” onde cada ano seja “regido” por um deus diferente.

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Tatuagem Acala por Toshio Shimada

Um outro ponto interessante é que 2017 é considerado o ano do Fudō Myōō.

Texto por Rafael Lucente.

Hachikō – O cão fiel

Hachikō ( ハチ公) é o nome de um cão muito famoso no Japão, que por sua história comovente se tornou mundialmente conhecido e lembrado até hoje.

Pertencente à raça Akita, nasceu em 10 de novembro de 1923 e foi trazido para Tóquio 1 ano depois, por Hidesaburo Ueno, um professor da Universidade de Tóquio e grande amante de cães em geral.

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Fotografia de Hachiko

Hachi, como também  era chamado ,  acompanhava seu dono todos os dias até a estação de Shibuya – Tóquio, e retornava mais tarde quando o professor Ueno voltava da Universidade, fato que na época já chamava atenção de algumas pessoas da região.

Após 1 ano e 4 meses na mesma rotina, no dia 21 de maio de 1925, professor Ueno teve um derrame na Universidade e nunca mais voltou. Pelas histórias contadas, na noite do velório, Hachi chegou a quebrar janelas para atravessar e ficar deitado próximo a seu falecido dono.

Com a morte do professor Ueno, Hachi foi levado para Asasuka, porém diversas vezes fugia da casa em que estava e ia para sua casa em Shibuya esperar seu dono. Mesmo depois de 1 ano, ainda sem se adaptar, Hachi foi doado ao ex jardineiro do professor Ueno, mas continuava fugindo em direção a sua antiga casa. Quando percebeu que seu dono não morava mais naquela casa, passou a esperá-lo todos os dias na estação de Shibuya e assim foi por quase 10 anos. Obviamente, ao longo desse período comoveu as pessoas que passavam diariamente por lá, e estas por sua vez, passaram a deixar alimentos para ajudá-lo.

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Cruzamento de  Shibuya (Foto por Rafael Lucente)

Em  8 de março de 1935, aos 11 anos de idade,  Hachiko faleceu por complicações de uma doença que já possuía,  foi então declarado um dia de luto no Japão. Hachi foi enterrado na sepultura de seu dono, e os dois puderam finalmente descansar juntos.

Hachiko recebeu diversas homenagens, uma delas foi a construção de uma estátua ao lado da estação de Shibuya, local que hoje é muito visitados por japoneses e turistas em geral. Além disso sua história foi inspiração para o filme japonês Hachiko Monogatarilançado em 1987 e para uma versão americana, lançada em 2009, chamada Hachiko:a Dog´s  story  (Sempre ao Seu Lado) com Richard Gere no papel principal.

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Estátua de Hachiko (foto por Rafael Lucente)

Até hoje, todo dia 8 de março, é realizada uma celebração em Shibuya em homenagem à toda lealdade e fidelidade de Hachi com seu dono.

Texto por Rafael Lucente.

 

Horihide – um dos grandes mestres do Tebori

Kazuo Oguri (conhecido também como Horihide) é um artista e tatuador extremamente conhecido e influente no meio da tatuagem.

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Horihide em seu studio

Horihide nasceu em 1937 no Japão, e é um dos grandes mestres do Tebori (técnica de tatuagem com bambus) ainda vivos. Parte de sua fama vem do fato de ter sido o responsável por trazer a cultura da tatuagem oriental para os americanos, influenciando assim outros grandes nomes como Sailor Jerry e Ed Hardy, o que se tornou um marco na tatuagem ocidental e dando origem posteriormente  a um novo estilo, o body suit (tatuagem de corpo inteiro).

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Ilustrações de Horihide

Sua vida de aprendiz na tatuagem não foi nada fácil, era comum que aprendizes ficassem anos apenas olhando seu mestre trabalhar. Em alguns momentos chegou a questionar a evolução de seu trabalho, o que fez com que começasse a usar seu próprio corpo como material de estudo, especialmente  depois de ter descoberto que seu mestre possuía partes do corpo totalmente pretas de tinta.

Só depois de muitos anos de estudo e prática que realmente iniciou seus primeiros trabalhos. Hoje com 79 anos de idade afirma:  “Enquanto puder mover minhas mãos, vou continuar tatuando.”

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Texto por Rafael Lucente

Tengu – goblins das montanhas

Tengu (天狗) são seres mágicos que fazem parte do folclore japonês, misturando a cultura budista com a xintoísta.

São goblins que habitam as montanhas e dentre suas capacidades mágicas estão a habilidade de se transformar em humanos ou animais, se comunicarem sem mexer a boca, se transportar de um lugar para o outro e invadir o sonho dos seres humanos.

Existem 2 tipos de  Tengu: o Karasu Tengu, que possui corpo de ser humano e cabeça de corvo e o Yamabushi Tengu, com rosto semelhante ao de ser humano, mas com nariz longo e asas bem grandes.

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São exímios lutadores, porém , seu principal passatempo é pregar peças em sacerdotes que se tornam muito orgulhosos, samurais arrogantes, autoridades que abusam do poder e qualquer um que contrariar as leis do Dharma. Acredita-se também que em algum desses casos, na próxima encarnação a pessoa se transforme em um Tengu.

 

Ao que se sabe, as lendas se originaram entre o Século VI e VII, quando a cultura budista se difundiu mais no Japão e estão associados ao Monte Kurama, que seria onde o rei dos Tengu Sojobo Vivia. Durante o passar dos anos, os Tengus foram tendo vários significados diferentes, passando de guardiões das montanhas e templos a ladrões de crianças.

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Tengu por Toshio Shimada

 

Texto por Rafael Lucente

Mahakala – O senhor do tempo

Mahakala ( महाकाल ) é  uma das divindades mais importantes do Budismo tibetano. Kala é uma das manifestações de Shiva, e significa “O Negro”, “O Tempo”. MahaKala é “O Senhor do Tempo”, “O Grande Tempo” e a “Eternidade”. De acordo com algumas lendas,  Mahakala era um demônio e foi convertido pelos budas  Manjushri e Avalokiteshvara. Esta divindade é também conhecida como “O Grande Protetor”, para os budistas, cada tradição tem seu Mahakala que protege os ensinamentos da tradição em particular e toda a doutrina do Senhor Buda. É comum encontrar sua imagem na entrada de quase todos os monastérios.  Eles são expressões enérgicas da sabedoria, formas que espantam a ignorância e destroem o que for preciso para acabar com ela.
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Mahakala  é um Dharmapala, ou seja, uma divindade que protege o Dharma (Lei Budista). No hinduísmo Mahakala é também uma das encarnações de Shiva, seria Deus do Tempo, ou o própria tempo. Kala significa tempo, ou até mesmo morte. No Japão é conhecido como Ele também é conhecido como “Daikokuten”  e “Daheitian” na China.
 A cor preta absorve todas as outras cores, assim como, todas as qualidades divinas se fundem em Mahakalae seus três olhos simbolizam o poder de compreender o passado, o presente e o futuro. Devemos também lembrar que ele é a personificação da compaixão e libertação dos seres sencientes que sofrem no Samsara. Já as caveiras em sua coroa representam os cincos venenos mentais: ira, desejo, ignorância, inveja e orgulho.
Ou seja, de acordo com as crenças, Mahakala é o senhor do tempo e capaz de tirar da vida  das pessoas tudo aquilo que desvirtua do real caminho.

3ª edição do Brasília Tattoo Festival com a presença de Toshio Shimada

Toshio Shimada estará de 4 a 6 de novembro, na 3ª edição do Brasília Tattoo Festival, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Um evento diferenciado, que conta com uma grande variedade de atrações: estandes com tatuadores e body piercersshows, concursos, aulas de skate, ações sociais, workshops, modelos exóticos, entre outras.

Cento e sessenta estandes recebem o público participante, em um espaço de 11.900m2. Oportunidade única para tatuar ou ou aplicar um piercing com os melhores profissionais do segmento. O Brasília Tattoo Festival ainda conta com praça de alimentação, DJs e shows, com atrações de peso. No palco teremos CPM 22, na sexta-feira (4/11), Raimundos, no sábado (5/11) e, para fechar, no domingo (6/11), Rael da Rima.

O ingresso custa R$ 40,00 a inteira e R$ 20,00 a meia com carteirinha estudantil, ou com a doação de 1 quilo de alimento. Será vendido na bilheteria digital e lojas Abriu Pro Rock (Centro Comercial Gama Shopping e Pátio Brasil).

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Máscara Hannya

As máscaras de Hannya tiveram origem no teatro Nõ japonês, que é um tipo clássico de espetáculo de arte, combinando interpretação, canto e poesia.

O teatro ou Noh existe desde o século XIV e normalmente a narrativa é composta por um protagonista (shite) que utiliza uma máscara, um coadjuvante (waki), um ator cômico (kyōgen), um coro e instrumentos musicais. É composto apenas por atores homens, que usam máscaras para representar figuras femininas, no total são mais de 200 máscaras diferentes, que originalmente eram feitas de madeira.

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De todas as máscaras,  uma das que mais se popularizou  foi a da Hannya, que deriva da lenda de uma mulher que após ser enganada por seus entes queridos,  foi consumida por ódio e ciúmes e se transforma em uma espécie de “demônio” com chifres, dentes afiados e aparência assustadora.

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Ilustração por Toshio Shimada

Ainda de acordo com as lendas, existem diferentes representações, por isso é comum ver Hannyas com aspecto mais humano e outras já com aspecto mais demoníaco.

No Japão, a máscara da Hannya simboliza sorte e proteção, como se a feição monstruosa espantasse energias ruins, porém foi  no Ocidente que ela se tornou um frequente tema de tatuagens, e é um dos desenhos mais procurados para composições de trabalhos com a temática oriental.

Texto por Rafael Lucente